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Diferença e diversidade: Desafios contemporâneos para as Ciências Sociais

Dada sua centralidade contemporânea, o tema da diferença em articulações com a produção de desigualdades e de diversidade atravessa pesquisas de distintas tradições disciplinares nas Ciências Sociais, possibilitando diálogo interdisciplinar e poderosa interlocução internacional. Tradicionalmente, o tema das desigualdades nas Ciências Sociais congregou estudos sobre trabalho, classes sociais e Estado, em investigações voltadas para a compreensão das relações de trabalho no país, dos seus processos de transformação e das políticas que os acompanham. Os aspectos relacionados ao desenvolvimento econômico e social no país, levando em conta também a América Latina e o modo como a região se articula com mudanças globais no que concerne ao trabalho, também ganharam relevância no debate sobre as desigualdades. Os estudos sobre raça e etnia seguiram centrais nesse debate, assim como o estudo da participação política e ação coletiva ocupou lugar fundamental na compreensão das dinâmicas sociais em torno das relações de trabalho e da organização das classes sociais no Brasil, expressando-se nas investigações sobre movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos etc. Nas últimas décadas, o interesse pelo trabalho e pelas classes sociais como estruturantes do mundo social – e, portanto, das desigualdades que engendram – tem dividido espaço com as relações que envolvem gênero, sexualidade, geração (juventude e envelhecimento), relações sociais racializadas, etnicidade, nacionalidade, pensamento social como categorias concernentes à produção de diferença e que operam em articulação. O debate sobre preconceito, violência e discriminação é também incorporado, bem como a análise das políticas aí implicadas e dos processos de produção de sujeitos e categorias. Para além disso, a discussão sobre desigualdades sociais tem sido acompanhada de perspectivas teóricas voltadas para a compreensão da diversidade social e cultural. Nesse contexto, tem se colocado em questão a própria produção de conhecimento, o papel dos intelectuais, os conflitos entre diferentes visões de mundo e as relações entre natureza, cultura e tecnologia em análises sobre o conflito em contextos indígenas, contextos rurais e urbanos. O tema da diferença conjugado ao modo como produz desigualdades e diversidade envolve a um só tempo processos nas mais diferentes escalas, os quais dificilmente poderiam ser compreendidos sem a adoção de uma perspectiva internacional de pesquisa.

Coordenador(a):
Mário Augusto Medeiros da Silva
Programa:
Antropologia Social, Ciência Política, Ciências Sociais, Sociologia
Metodologia e Ensino: desafios e inovações nas Ciências Humanas

O campo das Ciências Humanas tem avançado de maneira significativa na utilização de metodologias de análise e de ensino. Com a evolução da tecnologia é possível agregar um grande universo de informações e refinar os mecanismos de coleta e análise de dados. Novas ferramentas permitem a coleta e o cruzamento de dados com velocidade e precisão impensáveis há 20 anos. Para desenvolverem seus trabalhos, pesquisadores das distintas áreas das ciências humanas atualizam constantemente métodos clássicos de análise, mas também, de modo criativo, criam novas maneiras de compreensão da realidade social. Dada a necessidade de formar pesquisadores conectados com técnicas avançadas de pesquisa, os programas de pós-graduação do IFCH propõem um projeto em metodologia em Ciências Humanas voltado à pesquisa e ensino. O projeto foca em metodologias qualitativas e quantitativas e tem um formato multidisciplinar de abordagem envolvendo dez PPGs do Instituto. A estrutura do projeto permite que cada técnica possa ser explorada transversalmente, contribuindo para a formação de pesquisadores e oferecendo a oportunidade do aprendizado de técnicas inovadoras com ampla aplicação nas diversas áreas das Ciências Humanas. As metodologias multidisciplinares visam também o aperfeiçoamento do ensino em nível superior e, principalmente, possibilitar o acesso da sociedade aos resultados das pesquisas da universidade, atentando ao diálogo com a formação de professores, aos desafios da Educação Básica e à necessidade de falar a públicos cada vez mais amplos. Ainda, o projeto permitirá que se estabeleçam redes internacionais de pesquisadores potencializando o processo de internacionalização das ciências humanas brasileiras, estimulando colaborações internacionais, dando visibilidade à pesquisa e aos programas de pós-graduação do IFCH/Unicamp e possibilitando a consolidação internacional de centros e núcleos de pesquisa já existentes no instituto. Inicialmente propomos o aprofundamento de metodologias tais como: Análise Histórica dos Eventos, Fontes e Arquivos, História Pública e História Digital, Projeções Populacionais, Análise Multinível aplicada às Ciências Humanas, Análise Qualitativa e Métodos Mistos, Teoria de jogos, Experimentos em Ciências Sociais, Etnografia Digital, Etnografia de imagens e grafias, Etnografia em arquivos e Redes de Parentesco.

Coordenador(a):
Nashieli Rangel Loera
Programa:
Ambiente e Sociedade, Antropologia Social, Ciência Política, Ciências Sociais, Demografia, Filosofia, História, Profhistória, Relações Internacionais, Sociologia
Olhares cruzados sobre democracia: avanços, fluxos, retrocessos e contradições

A noção de ‘democracia’, sua trajetória como conceito e modelo social, e o fluxo de ideias e conceitos que a acompanham, assim como os desdobramentos concretos na vida social dos processos democráticos, são hoje um dos grandes temas das ciências humanas e sociais. Da perspectiva da Ciência Política, o avanço no número de Estados democráticos com a terceira onda de redemocratização impulsionou os estudos dos tipos de regime, de suas instituições, das condições que permitiriam aos Estados se consolidarem como democracias, a necessidade de aprofundamento das relações democráticas no interior dos Estados e entre Estados. Ainda, o avanço numérico dos Estados democráticos vem cercado de expectativas no tocante às diversas esferas da vida social, que podem ser resumidas na ideia de que teríamos um mundo mais justo, mais igual, mais inclusivo. A dinâmica política das democracias enfrenta obstáculos diante das disparidades de poder político e econômico entre Estados e a dinâmica do sistema internacional, no qual os Estados Unidos exercem papel estruturante. Embora avanços ocorridos no final do século XX e início do século XXI, como na questão de direitos sociais, esses não foram sem contradições. A mais patente é aquela entre o ideal democrático e a democracia representativa ou democracia liberal. Temos Estados democráticos com políticas sociais mais inclusivas, mas sem a igualdade de fato entre os cidadãos e isto se revela em termos econômicos, políticos, sociais e culturais. Estas contradições são matéria-prima fundamental para estudos de cunho sociológico ou antropológico. Os avanços no reconhecimento da diversidade em diversos contextos nacionais, que permitiram tanto o reconhecimento dos territórios étnicos e de populações tradicionais quanto às políticas afirmativas de corte étnico-racial e de diversidade sexual e de gênero foram parte fundamental de processos democráticos recentes, e hoje em dia se veem sob tensões sociais que colocam dilemas para a democracia. No interior de um quadro mais amplo de Estados-nação, principalmente países da América Latina se destacam ainda pelo modo precário que a memória dos crimes de Estado vem sendo abordada, com revisões tímidas e até mesmo saudosismos dos regimes militares em contextos de ascensão de ideologias fascistas, que tem ganhado votos e alcançado cadeiras nos parlamentos. O recorte internacional se impõe pela própria temática que é melhor compreendida a partir de um olhar multidisciplinar comparativo.

Coordenador(a):
Oswaldo Martins E. do Amaral
Programa:
Antropologia Social, Ciência Política, Ciências Sociais, Sociologia