Próximas Defesas

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O TRIUNFO DAS ÁGUAS: A ornamentação de lavabos e chafarizes em Minas Gerais (séculos XVIII e XIX)
Aluno(a): Francislei Lima da Silva
Programa: História
Data: 30/01/2023 - 14:00
Local: Sala da Congregação - IFCH - UNICAMP
Membros da Banca:
  • Patricia Dalcanale Meneses - Orientadora (UNICAMP)
  • Claudia Valladão de Mattos Avolese (UNICAMP)
  • Iara Lís Franco Schiavinatto (UNICAMP)
  • Rodrigo Almeida Bastos (UFSC)
  • Angela Brandão (UNIFESP)
Descrição da Defesa:

O triunfo das águas na Capitania das Minas foi marcado pelo ritmo do vai e volta às bicas d’água. Tanto as/os negras/os escravizadas/os e pessoas pobres que abasteciam seus barris e bilhas nos chafarizes públicos quanto os padres que lavavam suas mãos nos lavabos das sacristias encaravam de frente as monstruosas carrancas que lhe adornavam. Essas máscaras animadas foram lavradas e entalhadas como adornos aprendidos dos cortejos de divindades marinhas e fluviais, entronizadas por delfins e acompanhadas pelo murmulhar de Deuses-Rios, Ninfas e Cupidos. A aparição dessas criaturas que personificam as águas no mundo colonial afro-luso-brasileiro se deu em torno de outros cortejos, não mais celebrando os nascimentos da água de Netuno e Anfitrite, mas antes, o poder do Senado e da Igreja Católica que mandava fabricar os monumentos da água para equipar e aformosear os povoados mineiros. O lugar de coleta das águas urbanas, no período colonial, ditava o ritmo dos tempos do cotidiano sempre cruzado pelo da celebração.

O Quebra-Bondes: política e protesto urbano na I República (Salvador, 1926-1930)
Aluno(a): Jonas Brito dos Santos
Programa: História
Data: 30/01/2023 - 14:00
Local: Sala de Defesa de Teses
Membros da Banca:
  • Claudio Henrique de Moraes Batalha - Orientador (UNICAMP)
  • Antonio Luigi Negro (UFBA)
  • Fernando Teixeira da Silva (UNICAMP)
  • Alexandre Fortes (UFRRJ)
  • Daniel Rebouças Carvalho (UFBA)
Descrição da Defesa:

O trabalho dedica-se ao Quebra-Bondes, grande protesto ocorrido na capital baiana em 1930, contra autoridades públicas e, em especial, a Linha Circular, empresa monopolizadora dos serviços de eletricidade, transporte público e telefone. Esclarecendo as raízes da insatisfação popular contra a companhia, que seria adquirida pela General Electric, o texto identifica problemas nos três setores, inserindo-os no âmbito do cotidiano urbano de Salvador entre 1926 e 1930, em particular a habitação, abastecimento e saneamento. Outra fonte de insatisfações emergiria do programa de reformas, sobretudo nos contratos da Circular, pelo governo municipal de Francisco Souza (1928-1930) e do estadual de Vital Soares (1928-1930). O Quebra-Bondes, que também é uma resposta aos impactos da Grande Depressão em Salvador, desdobra-se enreda-se igualmente ao cenário político do biênio 1929-1930, marcado pelas sucessões presidencial e estadual.

Arranha-céus no Brasil. A recepção da tipologia do modern skyscraper e as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (1920-1945)
Aluno(a): Clecia Aparecida Gomes
Programa: História
Data: 30/01/2023 - 14:00
Local: Acessível I IFCH
Membros da Banca:
  • Josianne Frância Cerasoli - Orientadora (UNICAMP)
  • Fernando Atique - (UNIFESP/UNICAMP)
  • Maria Stella Martins Bresciani (UNICAMP)
  • Pedro Henrique Pedreira Campos (UFRRJ)
  • Luciana Saboia Fonseca Cruz (UnB)
Descrição da Defesa:

Esta tese trata da recepção do modern skyscraper no Brasil, com ênfase nos debates sobre a adoção e permanência desse tipo de edifício nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, entre os anos 1920 e 1945, a fim de compreender: a) dimensões simbólicas e de representação dessa tipologia arquitetônica/construtiva no Brasil; b) convergências dessa expressão arquitetônica em relação a dinâmicas político-culturais em vigência no país; c) o papel dessas representações e da recepção ao skyscraper nas definições do “imaginário” e nas transformações “concretas” nas cidades estudadas; d) interferências dos campos intelectual e político na arquitetura e no urbanismo; e) usos das noções de importação de tipos e modelos arquitetônicos na conformação do espaço urbano dessas cidades. Ao abordar especificidades da experiência dos “arranha-céus” no Brasil e suas relações com os projetos político-culturais em disputa no período, a tese busca contribuir para a historiografia da arquitetura, do urbanismo e da cidade, situando esses discursos no debate político. A análise privilegia como fontes as produções sobre o tema veiculadas em jornais de grande circulação, revistas especializadas e atas e boletins de associações e eventos profissionais nacionais e internacionais. De um modo geral, o quadro analítico apresentado possibilitará observar a incidência deste debate na produção cultural das cidades brasileiras. Nesse sentido, as hipóteses deste estudo questionam a separação entre a esfera local e global ao propor um recorte da recepção de obras e ideias na compreensão da “continuidade dos tipos” e nas relações entre sistemas teóricos, conceitos influentes, planos urbanos, projetos e edifícios acabados. A abordagem histórica se justifica pela atualidade da questão levantada por J. Gottmann nos anos 1960, “Why the skyscraper?”.

União da Raça: Frederico Baptista de Souza e a Militância Negra Paulista no Brasil Pós-Abolição (1875 – 1960)
Aluno(a): Lívia Maria Tiéde
Programa: História
Data: 30/01/2023 - 14:00
Local: Sala Multiuso
Membros da Banca:
  • Lucilene Reginaldo - Orientadora (UNICAMP)
  • Mario Augusto Medeiros da Silva (UNICAMP)
  • Kim Diane Butler (Rutgers University)
  • Daniel Barros Domingues da Silva (RICE)
  • Wlamyra Ribeiro de Albuquerque (UFBA)
  • Antonio Sergio Alfredo Guimarães (USP)
Descrição da Defesa:

Nessa tese demonstro as mudanças e continuidades do movimento negro paulista inicial através da vida de Frederico Baptista de Souza (1875-1960). Embora ele seja mencionado em estudos anteriores, este é o primeiro trabalho escrito inteiramente sobre ele. Trabalhos acadêmicos antecedentes reduziram trajetória de Frederico ao ativismo em clubes sociais raciais e na imprensa negra, entre 1916 e 1924. Ao expandir essa perspectiva limitada, meu trabalho traz contribuições inéditas para a compreensão da mobilização negra brasileira; ele faz isso oferecendo uma nova perspectiva sobre a linha do tempo e os fundamentos conceituais do movimento. Ao explicar o ativismo de Souza, mostro que o movimento negro brasileiro não foi um fenômeno isolado no pós-abolição, pois se originou diretamente do catolicismo liberal dos abolicionistas do século XIX. A partir dessa ideia, Frederico e outros “homens de cor” formaram o Grêmio Kosmos, uma organização exclusivamente para negros brasileiros – fato que ilustra as agudas tensões raciais entre esse grupo e os imigrantes europeus. Frederico foi o principal líder desse grêmio desde sua fundação em 1908 até suas últimas atividades em 1932. Além disso, avanço na produção existente ao mostrar que o ativismo de sujeitos como Frederico não terminou nas primeiras décadas do século XX. Ele participou de sindicatos, partidos políticos, clubes recreativos e contribuiu para vários jornais negros até o final de 1930. Ele não apenas coordenou, produziu e editou jornais, mas também – ao lado de ativistas mais jovens – organizou uma coalizão de sociedades de negros brasileiros. Antes da formação da Frente Negra Brasileira (1931), Frederico buscou meios democráticos de reunir associações negras divergentes para criar a “união da raça”. Ele defendeu consistentemente o “levantamento”, ou em inglês uplifting, durante uma época em que a grande imprensa posicionava Booker T. Washington como um exemplo de validação de que o legado da escravidão não impedia o avanço social dos negros brasileiros. É verdade que, em comparação com a mãe, que foi uma mulher escravizada, o trabalho árduo de Frederico rendeu sucesso econômico, ainda que modesto. No entanto, sua história de vida mostra como os brasileiros negros cada vez mais reconheceram que seguir o exemplo de Booker T. Washington era insuficiente para progredir social e economicamente. A elite brasileira retratou Booker T. Washington como o “grande líder negro”, mas Frederico afirmou que, apesar da igualdade legal, os negros brasileiros não gozavam de justiça social. Não foi a incapacidade – como alegavam os eugenistas – que levou à desvantagem social dos negros, mas foi a consequência da cidadania não compensada que acompanhou a abolição. O afastamento de Frederico Baptista de Souza do liberalismo de Booker T. Washington e do hiper nacionalismo da Frente Negra Brasileira evidencia a natureza pluralista e dinâmica do ativismo negro brasileiro no século XX. Por fim, ao traçar a trajetória de vida de Frederico, ilustro como as ideias de combate ao racismo evoluíram ao longo do tempo. Argumento que decifrar a experiência dele é fundamental para compreender o movimento negro brasileiro mais amplo. Isso porque sua história mostra como as conexões com outras partes da diáspora negra foram reinventadas e reapropriadas de acordo com as necessidades locais na luta contra o preconceito.

O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8): da luta pelas liberdades democráticas à construção da Frente Nacional Democrática e Popular (1972-1985)
Aluno(a): Jefferson Godoy Athaydes
Programa: História
Data: 31/01/2023 - 09:00
Local: Sala de Projeção (IFCH/Unicamp)
Membros da Banca:
  • Claudio Henrique de Moraes Batalha - Orientador (Unicamp)
  • Marcelo Ayres Camurça Lima (UFJF)
  • Álvaro Gabriel Bianchi Mendez (Unicamp)
Descrição da Defesa:

Esta pesquisa estudou o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), entre os anos de 1972 e 1985. A partir da análise principalmente de documentos internos e periódicos publicados pelo MR-8, assim como uma entrevista com um destacado ex-dirigente, examinamos a trajetória do grupo após o abandono da luta armada e sua cisão em 1972, a adoção da tática de luta pelas liberdades democráticas e pela organização da resistência dos trabalhadores, e como essas táticas pautaram sua atuação ao longo da década de 1970. Também analisamos os conflitos do MR-8 com outros grupamentos comunistas, principalmente o Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP) e a Política Operária (PO), com relação à participação eleitoral. Por fim, observamos como a organização analisava a ascensão do movimento operário a partir de finais dos anos 1970 e o crescente desempenho do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) nas eleições. Esses eventos propiciaram uma nova guinada da organização a partir de 1978 que, em conjunto com crescentes insatisfações e conflitos, levaram a uma nova cisão em 1982. De uma das mais influentes organizações de esquerda nos mais diferentes movimentos políticos e sociais, o MR-8 se tornou, assim, um grupo cada vez mais restrito e limitado em sua atuação no interior do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).