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Lugares da diferença: o tombamento federal de terreiros de candomblé (1984-2018)
Aluno(a): Natalia do Carmo Louzada
Programa: História
Data: 30/06/2022 - 09:00
Local: Sala Multiuso - IFCH - UNICAMP
Membros da Banca:
  • Aline Vieira de Carvalho - Orientadora (UNICAMP)
  • Cristina Meneguello (UNICAMP)
  • Iara Lís Franco Schiavinatto (UNICAMP)
  • Yussef Daibert Salomão de Campos (UFG)
  • Antonio Gilberto Ramos Nogueira (UFC)
Descrição da Defesa:

Entre os anos de 1984 e 2018 foram homologados no Brasil onze tombamentos federais de terreiros de candomblé, contemplando as três mais expressivas tradições étnicas desta religião. Estas patrimonializações representam fissuras na tradição institucional de marca eurocêntrica constituída pelo IPHAN até a década de 1980, contexto de reabertura política do país, em que diversos movimentos sociais, artistas, intelectuais e agentes de instituições de Estado, reivindicaram o reconhecimento da diversidade étnica e cultural brasileira, apontando a natureza política da seleção de bens culturais representativos da identidade nacional e seu regime de historicidade. Nesse sentido, a presente pesquisa investiga os processos de tombamento de terreiros abertos junto ao IPHAN até 2018, a fim de analisar as justificativas utilizadas para a atribuição de valor cultural a estes bens, procurando identificar as relações mantidas entre sociedade civil e sociedade política, na dinâmica do Estado ampliado, ao longo dos trâmites de patrimonialização. Objetivamos compreender os entraves encontrados no âmbito destes trâmites, bem como, ao percorrer a história da instituição, elucidar aspectos da participação dos diferentes agentes envolvidos nos tombamentos de candomblés nos distintos contextos político-institucionais vivenciados pelo país entre as décadas de 1980 e 2010.

A Modernização do Budismo Japonês e o Discurso Anticristão: o Caso de Ōuchi Seiran (1845-1918)
Aluno(a): Julio Cesar de Melo do Nascimento
Programa: História
Data: 30/06/2022 - 14:00
Local: Integralmente à distância
Membros da Banca:
  • Prof. Dr. Rui Luis Rodrigues (Presidente) (Orientador)
  • Profa. Dra. Raquel Gryszczenko Alves Gomes (IFCH/UNICAMP) - Membro Titular
  • Dr. Antonio Genivaldo Cordeiro de Oliveira (PUC/SP) - Membro Titular
  • Profa. Dra. Luana Saturnino Tvardovskas (IFCH / UNICAMP) - Suplente
  • Dra. Renata Cabral Bernabé (Tohoku University) - Suplente
Descrição da Defesa:

A Era Meiji (1868-1912) foi um período marcado por profundas mudanças na história japonesa, a saber: a formação de um estado-nação, o estabelecimento de uma língua nacional e de um sistema educacional unificado, a introdução de novos conceitos e palavras, e a adoção de novas instituições políticas e sociais. Essas mudanças se fizeram sentir também na esfera religiosa, e um dos aspectos mais complexos dessa dinâmica foi o surgimento de um movimento pelo fortalecimento do xintoísmo e por tentativas de supressão da influência budista na sociedade. Como resistência a uma possível eliminação do budismo, surgiram figuras no campo religioso e filosófico que adotaram um discurso paradoxal: ao mesmo tempo em que o defendiam como símbolo de identidade japonesa, remodelavam-no claramente inspirado nos moldes do cristianismo ocidental. Paradoxal pois o cristianismo havia sido proibido em todo o território japonês e seus praticantes, severamente perseguidos por mais de duzentos anos. Após a restauração, a abertura paulatina à religião estrangeira provocou ataques discursivos com teor nacionalista dos budistas que denunciavam os perigos que viriam com tal expansão. Destaca-se, nesse contexto, Ōuchi Seiran (1845-1918), cuja obra constitui objeto principal de nosso estudo. Figura central na modernização e popularização do budismo Zen, Seiran teve papel fundamental durante tão agitados anos, tendo criado e operado o primeiro jornal budista do Japão moderno, proferido constantes palestras públicas para a divulgação de um novo tipo de prática voltada a leigos, e fundador de organizações budistas de cunho nacionalistas. Suas atividades atravessaram diferentes campos e sua oposição ao cristianismo é um elemento central em seu pensamento.

A presente pesquisa consiste na análise dos discursos anticristãos que ocorreram concomitantemente com a modernização do budismo japonês do período Meiji, tendo com objeto central os trabalhos de Ōuchi Seiran. Seiran foi um dos principais responsáveis pela constituição do grupo nacionalista Sonkō Hōbutsu Daidōdan no fim da década de 1880. Formado por monges e leigos de diferentes partes da nação, tinha como objetivo minar a presença cristã em pontos fundamentais da sociedade japonesa, como o campo político e educacional, ao mesmo tempo em que afirmava o papel budista dentro de uma nação moderna. Nossa análise é embasada em uma abordagem da história cultural das religiões, buscando abarcar as representações, apropriações e mediações de seu discurso em resposta às mudanças sociais.

Amilcar de Castro e os anos 60: entre o passado Neoconcreto e o surgimento do Minimalismo
Aluno(a): Elias Perigolo Mol
Programa: História
Data: 30/06/2022 - 14:00
Local: Sala LabMet2 - IFCH - UNICAMP
Membros da Banca:
  • Nelson Alfredo Aguilar - Orientador (UNICAMP)
  • Patricia Dalcanale Meneses (UNICAMP)
  • Maria de Fatima Morethy Couto (UNICAMP)
  • Renata Cristina de Oliveira Maia Zago (UFJF)
  • Rodrigo Otavio da Silva Paiva (UFES)
Descrição da Defesa:

Esta tese se propõe a investigar questões da produção artística de Amilcar de Castro a partir de um período específico de sua trajetória. Depois de contemplado pela Bolsa Guggenheim, em 1967, muda-se para os Estados Unidos e lá se depara com o surgimento e consolidação da Minimal Art, o que o leva a fazer comparações com o Neoconcretismo brasileiro. A pesquisa trata do Neoconcretismo, do Minimalismo, da repercussão da 8ª Bienal de São Paulo, que apresentou obras de artistas ligados ao Minimalismo ao público brasileiro, da estadia de Amilcar e demais artistas brasileiros em solo norte-americano e do debate e dificuldades de comparações entre Neoconcretismo e Minimalismo.

As Máquinas do Conforto Doméstico: a divulgação dos eletrodomésticos e os discursos sobre família e moradia no Brasil (1950-1970)
Aluno(a): Rafaela Cristina Martins
Programa: História
Data: 01/07/2022 - 09:00
Local: Sala Multiuso - IFCH - UNICAMP
Membros da Banca:
  • Silvana Barbosa Rubino - Presidente (UNICAMP)
  • José Alves de Freitas Neto (UNICAMP)
  • Monica Raisa Schpun (Ècole des Hautes Ètudes en Sciences Sociales)
  • Sabrina Studart Fontenele Costa (Escola da Cidade - SP)
  • Vânia Carneiro de Carvalho (USP)
  • Sulamita Fonseca Lino (UFOP)
Descrição da Defesa:

A presente tese enfocou a análise sobre os eletrodomésticos articulando-a com
questões sobre a moradia e a família. A tese defendida é de que tanto quanto esses aparelhos poderiam gerar conforto para o cotidiano doméstico, também eram disseminados com discursos que reafirmavam uma antiga estrutura doméstica, espacial e social, onde o homem e mulher teriam lugares, afazeres e representações distintos e hierarquizados.

Os anos entre 1950 e 1970 foram escolhidos como centrais para esse trabalho devido a
maior difusão desses bens de consumo, e ao surgimento de novos eventos e publicações
intimamente ligados a esses produtos, como é o caso da revista Casa & Jardim, na década de 1950 e da Feira Nacional de Eletrodomésticos (UD), nos anos de 1960. O principal objeto de estudo são as propagandas de eletrodomésticos veiculadas nessas revistas com o objetivo de analisar seus discursos e suas imagens.

Além disso, na esteira das diversas formas de modernidade em voga nas décadas estudadas, foi feito um balanço sobre até que ponto a arquitetura moderna e suas concepções habitacionais podem ser produtoras de um espaço livre do conceito de família tradicional nuclear.

A classe de cor: uma história do associativismo negro em Minas Gerais (1880–1910)
Aluno(a): Jonatas Roque Ribeiro
Programa: História
Data: 08/07/2022 - 14:00
Local: Sala de Defesa de Teses - IFCH - UNICAMP
Membros da Banca:
  • Lucilene Reginaldo - Orientadora (UNICAMP)
  • Ana Flávia Magalhães Pinto (UnB)
  • Fernanda Oliveira da Silva (UFRS)
  • Josemeire Alves Pereira (UFMG)
  • Mario Augusto Medeiros da Silva (UNICAMP)
Descrição da Defesa:

O associativismo negro em Sabará, Minas Gerais – incluindo as suas várias modalidades e expressões – se constituiu em meio ao surgimento e consolidação do abolicionismo negro na década de 1880. Tratou-se de um fenômeno associativo marcado pela diversidade de experiências, posicionamentos políticos, perspectivas de vida e modos de estar no mundo dos seus integrantes. Essa forma de associativismo acabou se tornando um aspecto da cultura política abolicionista e, depois da proclamação da República, de uma cultura política republicana, que se sustentou a partir de ideais, imagens e linguagens construídas e acionadas pelas gentes de cor. Houve, portanto, ligações estreitas entre os movimentos abolicionistas, os movimentos republicanos e o associativismo negro. Por lidar constantemente com os impedimentos e as violências causadas pelo racismo, as gentes de cor procuraram meios de transformar o preconceito racial em uma pauta da política associativa do seu associativismo. Adotaram, então, o uso reiterado de termos raciais como forma de positivar e legitimar sua existência e a sua condição de cidadãos. Assim, a expressão classe de cor foi produzida com o sentido de reconhecimento de identidades comuns entre esses sujeitos forjadas no âmbito das suas associações. O propósito da tese é estudar como diversas formas de solidariedade coletiva em termos raciais foram pensadas como um princípio importante na trajetória das gentes de cor, tanto no âmbito das suas associações como nas suas festas e celebrações. O seu argumento considera que, por meio do associativismo negro, esses sujeitos fomentaram a defesa da liberdade jurídica e política, igualdade racial e da cidadania plena como uma prerrogativa fundamental nos seus projetos de vida e de sociedade.