Próximas Defesas

Para agendar a Defesa de Tese:   A Defesa de Tese deve ser agendada no sistema SIGA (DAC/UNICAMP), através de uma série de procedimentos que podem ser observados no Manual de Defesa de Dissertação/Tese - clique aqui.    

 

Imigração e Lutas Migrantes: redes e encruzilhadas da mobilização por direitos e contra a xenofobia racializada no Brasil em crise
Aluno(a): Karina Quintanilha Ferreira
Programa: Sociologia
Data: 23/04/2024 - 09:30
Local: Sala de Defesa de Teses I
Membros da Banca:
  • Prof. Dr. Ricardo Luiz Coltro Antunes (Presidente) (Orientador) - IFCH/UNICAMP
  • Profa. Dra. Vera da Silva Telles - Universidade de São Paulo
  • Profa. Dra. Patrícia Villen Meirelles Alves - Universidade Federal de Uberlândia
  • Profa. Dra. Mariana Shinohara Roncato - Universidade Estadual de Campinas
  • Profa. Dra. Bárbara Geraldo de Castro - IFCH/UNICAMP
Descrição da Defesa:

A partir do referencial analítico das lutas migrantes em diálogo com a sociologia do trabalho, esta pesquisa tem como objetivo analisar experiências de mobilização política de imigrantes e refugiadas/os por direitos e contra a xenofobia racializada no contexto pós-crise econômica mundial de 2008/9, com foco no período da pandemia da Covid-19 (2020-2022). O recorte empírico privilegia as lutas migrantes no Brasil, e mais especificamente na cidade de São Paulo, aonde a pesquisa de campo se desenvolveu na pandemia. Neste período, sob o governo da extrema-direita, verificou-se um agravamento dos efeitos do capitalismo pandêmico, intensificando as desigualdades sociais, o sistemático ataque a direitos e as tendências seletivas nas políticas de controle migratório. Diante desse contexto, indaga-se por quê e como imigrantes e refugiadas/os se organizam para resistir contra a opressão e a exploração em suas interserccionalidades de gênero, raça/etnia, classe, nacionalidade e condição migratória. Além da pesquisa bibliográfica e documental, a abordagem qualitativa é situada por meio de entrevistas com trabalhadoras/es imigrantes periféricos e racializados da Bolívia, do Haiti e da República Democrática do Congo que são reconhecidas/os ativistas no campo das migrações em São Paulo. Essa abordagem foi combinada com pesquisa participativa junto às seguintes redes e movimentos: Associação de Mulheres Imigrantes Luz e Vida (AMILV); Regularização Já; Justiça Por Moïse e, em especial, pela atuação com a rede Vidas Imigrantes Negras Importam, que se desdobrou nas campanhas Somos João Manuel; Liberdade Para Falilatou e Nduduzo Fica. O trabalho está organizado em um mosaico de quatro partes: 1) Imigração e lutas migrantes: um campo epistemológico em deslocamento; 2) Contexto brasileiro (2010-2022): políticas migratórias, trabalho imigrante e a permanente luta por direitos; 3) Lutas migrantes no Brasil pandêmico (2020-2022); 4) Redes e encruzilhadas. A pesquisa evidencia a diversidade e a heterogeneidade dessas lutas no Brasil, revelando questões emergentes e interconectadas sobre a informalidade e a precarização do trabalho, as políticas de indocumentação, a criminalização étnico-racial da migração e, sobretudo, a xenofobia racializada que afeta particularmente imigrantes das diásporas negras e indígenas. No que tange aos movimentos analisados, tratam-se de formas de auto-organização tecidas “a partir das margens” que se constituem por meio de alianças políticas e práticas coletivas como redes, associações, movimentos sociais, sindicatos, coletivos culturais – com crescente protagonismo de mulheres racializadas, trabalhadoras na informalidade, mães e provenientes de países da periferia do capitalismo. Na esteira das conquistas da Lei de Migração (2017), esses movimentos mostram a necessidade de uma permanente mobilização em escala local, nacional e transnacional para reivindicar direitos humanos, cidadania e pertencimento por um “mundo sem fronteiras”. Interpelam, assim, a sociedade e as lutas sociais em seu conjunto, expandindo a agenda política das migrações como potencial de transformação social no atual contexto de crise estrutural e multidimensional – política, econômica, social, ambiental, financeira e sanitária – do capital.

Um navio no espaço: as mudanças sociais, a literatura e o feminino através da literatura marginal de Ana Cristina Cesar
Aluno(a): Thaís Fernanda Rabelo
Programa: Sociologia
Data: 25/04/2024 - 14:30
Local: Sala de Defesa de Teses I
Membros da Banca:
  • Profa. Dra. Élide Rugai Bastos (Presidente) (Orientadora) IFCH/UNICAMP
  • Profa. Dra. Mariana Miggiolaro Chaguri - IFCH/ UNICAMP
  • Prof. Dr. Alexandro Henrique Paixão - FE/ UNICAMP
Descrição da Defesa:

Esta pesquisa buscou encontrar uma outra história possível para as mudanças sociais, a literatura e o “feminino” face aos conflitos da ditadura civil-militar por meio da poética de Ana Cristina Cesar – uma das únicas mulheres escritoras do movimento de literatura marginal dos anos 1970 do Brasil. Concentrada majoritariamente no Rio de Janeiro, a geração que compôs este movimento cultural e que ficou conhecida como geração AI-5 apresentou a politização do cotidiano, o desbunde e o deslocamento da crítica social tanto no comportamento quanto na prática literária, de modo a recusar os meios oficializados de publicação e circulação da literatura brasileira e provocar as fronteiras entre arte e vida. Com uma voz autoral feminina na literatura marginal, Ana Cristina Cesar se apropriou desses elementos para explorar a intimidade, o desejo e a sexualidade durante os anos de chumbo. Nossa hipótese é a de que a poeta figurou uma outra forma de abordar as mudanças sociais da ditadura, ao refletir criticamente sobre a relação entre a linguagem e o real a partir das renovações temáticas e teóricas do seu contexto intelectual. Além da análise dos poemas, por meio da revisão bibliográfica observamos o percurso da escritora diante dos conflitos e disputas presentes nas esferas cultural e política e a forma com que os escritores marginais atuaram nessa realidade.

A Forma Aguda do Infinito Um estudo sobre o Barroco e a Espanha do Siglo de Oro na Filosofia de Espinosa
Aluno(a): Francisco Guerra Ferraz
Programa: Filosofia
Data: 26/04/2024 - 13:00
Local: Sala de Defesas de Teses I
Membros da Banca:
  • Presidente Prof. Dr. Marcio Augusto Damin Custodio IFCH/ UNICAMP
  • Membros Titulares Profa. Dra. Fátima Regina Rodrigues Évora IFCH/ UNICAMP
  • Profa. Dra. Lia Levy Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Prof. Dr. Ivan Domingues Universidade Federal de Minas Gerais
  • Profa. Dra. Simona Langella Universita Degli Studi di Genova
  • Membros Suplentes Prof. Dr. Giorgio Gonçalves Ferreira Universidade do Estado da Bahia
  • Profa. Dra. Monique Hulshof IFCH/ UNICAMP
  • Prof. Dr. Matheus Barreto Pazos de Oliveira Universidade Federal do Recôncavo da Bahia UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Comissão de Programa de Pós-Graduação em Filosofia Este
Descrição da Defesa:

Partindo das categorias de época e estilo, esse estudo recupera as formulações de Carl Gebhardt, segundo as quais a filosofia de Espinosa seria uma genuína expressão do Barroco. Procurando
avaliar a pertinência dessa hipótese, mostramos que o infinito, desde a obra de Heinrich Wölfflin, Renaissance und Barock (1888), é identificado com o Barroco por meio do sentimento do sublime provocado pela fruição da monumentalidade dos espaços arquitetônicos. Espinosa é o filósofo que elabora uma metafísica geométrica que reflete o infinito progresso da natureza a partir de uma substância absolutamente infinita, que se expressa por atributos infinitos em seu gênero, da qual se seguem efeitos infinitos em número infinito de modos. É o filósofo que enxerga o infinito em seus diversos ângulos e que extrai dele a origem da mente, sua natureza e salvação mediante o aumento de sua perfeição, entendida como a expansão de sua parte eterna e imperecível. O meio hispano-português de Amsterdã onde Espinosa nasceu vivia a experiência de redescobrir o judaísmo mas simultaneamente reafirmava suas origens portuguesa e espanhola refletida em sua vertiginosa produção literária barroca e nas inúmeras traduções, para o espanhol, de obras da filosofia judaica medieval, como o Guia dos Perplexos de Maimônides. A elite sefardita, ao mesmo tempo que inventava seu judaísmo próprio, reproduzia a formação barroca da Ratio Studiorum da Companhia de Jesus que recebera nas escolas e universidades católicas da península ibérica e que valorizava ao máximo o conhecimento das letras, da gramática e das línguas. E na medida em que afirma a tradição medieval árabo-judaica ao retomar o infinito atual de Hasdai Crescas inserindo-o no princípio de sua doutrina, Espinosa afirma o elemento cultural apontado por estudiosos como o fator nevrálgico capaz de modificar o Renascimento vindo da península itálica e dar forma ao Barroco na Espanha. Além do mais, o filósofo possuía em sua biblioteca o suprassumo do Barroco literário produzido na Espanha do Siglo de Oro de onde procuramos vestígios materiais e conceituais de algumas dessas obras em sua filosofia. Aplicando as considerações de Agudeza y Arte de Ingenio de Baltasar Gracián à formulações de Espinosa, procuramos detectar procedimentos conceituais e retóricos próprios do Siglo de Oro, como o uso dos oxímoros. Argumentamos que a própria ideia de uma filosofia cujo modelo é dado por uma metafísica da imanência e pela geometria genética são expressões da agudeza cujo emblema é a produção de uma teoria da verdade nos moldes do contínuo, que recusa qualquer positividade discreta à “forma do erro”, expressando assim uma perspectiva inclusiva e cosmopolita conforme à grande expansão da experiência e da racionalidade da época barroca, que parece anular as dicotomias estanques e dar à noção de “processo” o centro de gravidade do pensamento. Procuramos mostrar também que a ideia de uma Religio Philosophica em Espinosa é um caso emblemático do contradiscurso quando compreendido, não como resíduo do judaísmo, mas como expressão da agudeza que lê trechos das escrituras e disputa seu sentido atribuindo a determinadas passagens e personagens, conteúdos da sua doutrina filosófica. O que revela também uma impossibilidade de separação absoluta entre filosofia e teologia, uma vez que, pela apresentação de um método histórico crítico, pela existência da elocução religiosa constitutiva do discurso racional e a simultânea valorização do livre exame crítico da Escritura, o filósofo subverte a noção de “intérprete autorizado”, deslocando o lugar da teologia e do teólogo. Por fim, procuramos destacar os “pontos de contato” ou “pontos de excitação”, (como na expressão da língua alemã Anregungspunkt) entre Espinosa e alguns autores de sua biblioteca. Valorizamos assim as origens e inclinações do filósofo como expressões do barroco (e não de um iluminismo avant la lettre como hoje parece difundido) e de seu pertencimento, mesmo que problemático, ao acervo cultural ibérico. Palavras-chave: Gebhardt, Barroco, Estilo, Época, Infinito, Espanha, Biblioteca, Siglo de Oro, Geometría, Cosmopolitismo, Retórica, Contradiscurso, Agudeza, Teologia, Religião.

A fração cultural das classes médias paulistanas: posições políticas, estilos de vida e fronteiras simbólicas
Aluno(a): Gustavo de Sousa Vieira
Programa: Sociologia
Data: 29/04/2024 - 10:00
Local: Sala de Defesa de Teses I
Membros da Banca:
  • Prof. Dr. Michel Nicolau Netto (Presidente) (Orientador) - IFCH/ UNICAMP
  • Prof. Dr. Adalberto Moreira Cardoso - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Profa. Dra. Carolina Martins Pulici - Universidade Federal de São Paulo
Descrição da Defesa:

Esta pesquisa trata da relação entre estilos de vida, posições políticas e demarcação de fronteiras simbólicas entre a fração cultural das classes médias paulistanas. Em linha com a abordagem que vem sendo chamada de Análise cultural de classes, as frações de classe culturais são definidas como o conjunto de agentes pertencentes a uma mesma classe social que dependem mais do capital cultural que do capital econômico para a reprodução de sua posição social e para a demarcação de suas hierarquias de status. No caso da fração cultural das classes médias paulistanas, ela é apresentada como sendo composta por indivíduos inseridos em posições intermediárias de ocupações relacionadas à ciência, arte, academia, produção cultural, docência, jornalismo, assistência social, e algumas profissões liberais. O objetivo principal da pesquisa é entender quais os efeitos específicos da fração de classe sobre as tomadas de posições e sobre as construções identitárias. A hipótese de trabalho é a de que entre esta fração de classe seria possível encontrar tomadas de posições fortemente marcadas pelo esforço de valorização do capital cultural e de denegação do capital econômico, o que inclinaria os agentes para a demarcação de uma fronteira simbólica que os opõe à fração econômica da mesma classe. Para testar esta hipótese são observadas as particularidades das tomadas de posições desses agentes nos domínos dos posicionamentos políticos e dos estilos de vida, o que é feito por meio da aplicação de questionários sobre posições políticas e estilos de vida com vinte e sete indivíduos pertencentes, majoritariamente, à fração cultural das classes médias da cidade de São Paulo, e da realização de entrevistas em profundidade sobre os mesmos temas com vinte e três deles. Os dados produzidos mostram que, para o caso dos posicionamentos políticos, a integração as posições estruturais típicas das frações culturais tende a ser marcada pela cobrança por posicionamentos políticos de esquerda, que, por sua vez, tendem a ser as mais vantajosos para a valorização do capital cultural em comparação com o econômico. Da mesma forma, para os estilos de vida, as posições típicas das frações culturais são também identificadas por práticas e gostos culturais orientados para a valorização da cultura legitimada, igualmente estratégicas para a valorização do capital cultural como critério de hierarquização social. Desta forma, os resultados apontam para os efeitos estruturantes do capital cultural sobre a fração cultural, inclinando-a para a valorização do capital cultural, denegação do econômico e, com isso, para a demarcação de uma fronteira simbólica contra a fração econômica. Porém, como efeito não-intencional dessa construção identitária, as estratégias de valorização do capital cultural operam ainda no sentido de restringir a entrada das classes populares nas posições culturais intermediárias.

Mulheres de pince-nez: imprensa feminina e o surgimento das jornalistas no Rio de Janeiro, 1852-1892
Aluno(a): Cristiane de Paula Ribeiro
Programa: História
Data: 03/05/2024 - 09:00
Local: Sala de Defesa de Teses - IFCH/UNICAMP
Membros da Banca:
  • Rodrigo Camargo de Godoi - Orientador (UNICAMP)
  • Izabel Andrade Marson (UNICAMP)
  • Silvana Mota Barbosa (UFJF)
  • Tania Regina de Luca (UNESP)
  • Stella Maris Scatena Franco (USP)
Descrição da Defesa:

Atualmente basta ligar a televisão, checar os sites ou podcasts de notícias para se constatar que as mulheres são maioria nas redações dos jornais e demais veículos de mídia espalhados pelo Brasil. Com efeito, partindo de uma vasta pesquisa nos jornais e em diferentes arquivos situados principalmente no Rio de Janeiro, a tese procura problematizar e historicizar este dado analisando suas raízes entre 1850 e 1890. Neste período, um grupo de mulheres iniciou-se no jornalismo no Rio de Janeiro, assumindo o papel de responsáveis pela produção intelectual e gráfica de seus jornais. O processo histórico em foco divide-se em três. A primeira relaciona-se ao jornalismo de modas, inaugurado no Jornal das Senhoras, em 1852. Longe de analisado como uma amenidade, a pesquisa revelou que este gênero era parte essencial de uma indústria dominada por mulheres, da qual participaram modistas, costureiras e jornalistas. A segunda etapa, investiga a atuação das jornalistas na Instrução Primária e Secundária do Império. A partir do jornal O Sexo Feminino analisa-se o imbricamento entre jornalismo e educação em meados da década de 1870. No terceiro e último momento, considerando o quadro mais amplo de criação das primeiras empresas jornalísticas no último quartel do século XIX, a tese dedica-se a investigar os temas políticos pelas penas das mulheres, como a abolição da escravidão, o republicanismo e a busca por seus direitos, associado a criação da Companhia Imprensa Familiar, sociedade anônima vinculada ao jornal A Família. Finalmente por intermédio da trajetória de Corina Coaracy, analisa-se o ingresso das jornalistas nos grandes jornais no Rio de Janeiro nas duas últimas décadas do século XIX.