Projeto
Frente de Ações Sociais da Força-Tarefa Unicamp Contra a Covid-19
Resumo
Com o início da pandemia da Covid-19, passei a integrar a Frente de Ações Sociais, para que a FT fosse além da prestação de serviços e passasse a atuar ativamente em comunidades de grande vulnerabilidade social e econômica. O maior diferencial das ações sociais organizadas pela Força-Tarefa foi permitir a testagem para identificação do vírus em maior escala (não apenas em sintomáticos) buscando ativamente populações vulneráveis Se casos assintomáticos e pré-sintomáticos são identificados, ainda mais com a celeridade de resposta diagnóstica da Frente de Diagnósticos, amplia-se de maneira significativa o conjunto de informações à disposição das unidades básicas de saúde e do poder público para tomarem medidas em prol da saúde coletiva.
Como antropóloga, passei a atuar promovendo testagens sobretudo junto à populações LGBTI+. Estabeleci uma parceria com o Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD) -equipamento público do município de São Paulo, integrante da rede sócio assistencial e, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social (SMADS), é gerenciado pelo Grupo Pela Vidda/SP.
A justificativa inicial para a necessidade de testagem desta população estabelecida junto ao CRD considerou que se a COVID-19 afeta desproporcionalmente os mais pobres, ela irá repercutir diretamente nos grupos que vivenciam discriminações, violência, exclusão e precariedade de vida em razão de identidade de gênero e orientação sexual. Especificamente em relação à população atendida pelo CRD, estes fatores se somam às condições de vida e saúde específicas de dissidentes de gênero e sexualidade, entre os quais se encontram trabalhadores(as) do sexo, moradores (as) de rua e de locais ocupados, pessoas vivendo com HIV-AIDS e outras ISTs, também que passam por processos de hormonioterapia que podem repercutir na saúde e, especificamente, sobre o sistema imunológico. Também se trata de uma população que circula, trabalha ou reside em uma das regiões com maior densidade populacional por m² da cidade. Adicionalmente à concentração populacional da região central da cidade, esta é reconhecida por apresentar questões sanitárias e de vulnerabilidade social mais amplas também específicas. Tais evidências reforçaram a necessidade de ações urgentes como forma de mitigar os danos causados pela pandemia entre aqueles que já enfrentam inúmeros problemas mesmo no período de regularidade da vida.
Cabe destacar que grande parte dessa população atualmente é acometida por duas outras epidemias entrecruzadas com a Covid-19 e reconhecidas enquanto tal pelos órgãos de saúde governamentais: de HIV-AIDS e Sífilis que, em ambos os casos, têm apresentado crescimento exponencial na última década, sobretudo entre a população jovem e sido alvo de políticas públicas de contenção e tratamento. Muitos dos indivíduos portadores têm acesso restrito aos serviços públicos de saúde ou apresentam frequência esporádica às UBSs, o que dificulta a detecção da doença, acompanhamento e facilita sua propagação em termos populacionais. Nesse sentido, cabe considerar que a testagem para A Covid-19 e o subsequente acompanhamento por parte dos profissionais de saúde dos casos positivos podem contribuir para a incorporação dessas populações no sistema de saúde e possível auxílio no controle das demais epidemias, tendo em vista o encontro às constantes campanhas governamentais para exames, acompanhamento e a importância da inserção dessa população ao decorrer do tempo no atendimento do SUS
A partir da parceria estabelecida, se somaram outros equipamentos da prefeitura municipal e organizações não governamentais. As ações foram realizadas em espaços dos equipamentos da prefeitura de São Paulo voltados ao acolhimento, assistência, defesa de direitos humanos e promoção de cidadania LGBTI em conjunto com suaas respectivas equipes. Os equipamentos em questão foram, além do CRD- Bruna Valim e Grupo pela Vidda/SP, as Casas Florescer I e II e os quatro Centros de Cidadania LGBTI existentes na cidade. Grande parte das ações ocorreu nos Centros de CIdadania LGBTI municipais e cabe destacar que ao longo do tempo o projeto incorporou as equipes dos Centros e profissionais de saúde LGBTI+ que se demonstraram interesse em participar. Como antropóloga, também realizei trabalhos de campo fazendo busca ativa da população e divulgação das ações, bem como buscamos fazer pesquisa básica que pudesse compreender de modo mais aprofundado a situação da população na cidade durante a pandemia. Na maior parte dos casos, as ações priorizaram a testagem e acompanhamento da população de pessoas trans e travestis.
Subsequentemente coordenei testagens junto a outros esquipamentos públicos de saúde e direitos humanos tais como o Centro de Temporário de Acolhimento e Assistência Social situado no centro da cidade (Complexo Prates), por demanda da coordenação.
Além das testagens atuei promovendo conscientização, distribuição de cestas-básicas e, principalmente, acompanhamento individual dos casos, por telefone, por meio de um protocolo desenvolvido entre equipe de saúde e Força Tarefa. Deste modo integrei a equipe de monitoramento, que tem construído um saber acumulado sobre o processo muito importante para novas ações e acompanhamento continuado da população.
As ações da Frente de Ações sociais promoveu testagens diversas junto a outros grupos, comunidades e populações vulneráveis.
O relatório final das ações foi concluído
Responsáveis
Membros
BEATRIZ BERTELLI AOYAMA
DIEILA GIOMO DE LIMA
LARISSA DE REZENDE TANGANELLI
MARIANA RETUCI PONTES
NATALIA BRUNETTI SILVA
PAULO AFONSO MARTINS ABATI