XV Encontro de História da Arte da Unicamp

Data da publicação: qua, 13/10/2021 - 11h52min

A décima quinta edição do Encontro de História da Arte da Unicamp terá como tema O valor da arte em disputa: mercado e instâncias de legitimação na História da Arte. O encontro terá início dias 14 e 15 de outubro com a realização de duas conferências, que serão transmitidas nos canais do IFCH Unicamp. 

14 de outubro

17:00: Mesa Redonda I - Valores em exibição
Patrícia Meneses (Unicamp), Iara Schiavinatto (Unicamp), Valéria Piccoli (Pinacoteca-SP)
 

15 de outubro

17:00: Mesa Redonda II - Circuitos artísticos e mercados no Brasil
Alberto Martín Chillón (UFRJ), Maria Lúcia Bueno (UFJF) e Ana Letícia Fialho (USP). Mediação: Felipe Martinez (MAC-USP).
 

O evento colocará em discussão a relação entre a produção artística e o valor atribuído às obras de arte ao longo do tempo, levantando questionamentos acerca das instâncias que consagram e valorizam os objetos artísticos, seus mecanismos de ação e seus impactos na escrita da história da arte. Autoria, originalidade, singularidade, materialidade, técnica, origem (étnica, nacional e/ou geográfica) são alguns dos critérios utilizados para conferir status aos objetos artísticos. Os sistemas sociais, políticos e econômicos que envolvem o mundo da arte impactaram e impactam sua recepção pela crítica e pelo público tanto quanto - e se não com maior intensidade do que - a maestria do trabalho do artista. Os objetos artísticos, frutos do trabalho intelectual e/ou mecânico de artistas, artesãos ou de outros meios de produção automatizados, imbuídos de valor simbólico, se tornam alvos de disputas, interpretações e ressignificações na história da arte. 

Embora de modo algum isso se restrinja aos modos de produção dominantes do mundo contemporâneo, é inegável que esse processo se intensificou com o desenvolvimento e consolidação do capitalismo, através da expansão das redes de circulação e comercialização da arte - o que se desdobra em discussões acerca do mercado, da especulação financeira e da aquisição de bens artísticos como investimento. Mais recentemente, podemos observar o quanto os efeitos da globalização e da revolução digital têm ampliado as possibilidades de comercialização e especulação de obras pelo mercado, seja através de sua espetacularização, seja através da associação entre criptomoedas e arte digital, com os NFTs. Assim, abrimos espaço para discussões acerca do papel dos diferentes agentes e instâncias de legitimação, como artistas, historiadores da arte, críticos, curadores, museus, instituições culturais, colecionadores, marchands e galerias. Em suma, como variados personagens operam na circulação e na recepção da arte, agindo e impactando diretamente na atribuição de valor, no status e na consagração de obras e artistas. 

No centro ou à margem desses espaços privilegiados, outros artistas criaram mecanismos de crítica, resistência e combate às instâncias legitimadoras da arte. Esses “criadores” atuaram contra normas, hierarquias, instituições e até contra o próprio conceito de “arte”, desafiando os seus limites, desmaterializando seus resultados, evidenciando os processos “conceituais” de suas práticas e expondo as fragilidades de sua constituição e circulação. Eles e outros agentes atuaram e atuam na criação de novos critérios, modos de exibição, instâncias e redes de circulação para suas obras, criando alternativas de consagração e valorização de artistas e obras, alheias aos sistemas oficiais. Dessa forma, também nos interessa discutir as maneiras pelas quais se configuram esses modos alternativos, marginais, periféricos; como eles tensionam e/ou se apropriam do mundo da arte e suas instâncias de legitimação, e como as instâncias de legitimação -  incluindo a própria disciplina da História da Arte - se reconfiguram e se apropriam dessas obras e agentes.

A programação completa poderá ser consultada em https://linktr.ee/eha_unicamp.