Fortuna Crítica - Ciclo II - Elide Rugai Bastos

Data da publicação: ter, 21/09/2021 - 15h16min

Neste segundo ciclo do projeto Fortuna Crítica, Elide irá discutir como a questão democrática é enfrentada por autores brasileiros na área do pensamento social, frisando seu lugar central ou marginal no debate.

Buscar-se-á mostrar como a partir da formulação genérica “questão social”, os dilemas que se apresentam em diferentes momentos da história do Brasil são enfrentados via formulação de ideias que influem na formação da opinião pública e, ainda, na institucionalização de medidas político-sociais.

Dois pontos de partida configuram o encaminhamento dessa proposição: a questão democrática deve ser discutida teórica e historicamente; refletir sobre ela supõe aceitar o princípio dinâmico da sociedade, supondo a emergência de novos atores sociais resultantes de mudanças de ordem econômica, social, política e cultural.

 

Transmissão ao vivo, das 17h às 19h, nos canais do IFCH, conforme calendário abaixo:

 

19/08/2021

1.A questão social e a questão nacional: o pensamento conservador frente à discussão sobre a desigualdade

 

23/09/2021

2. Diferentes visões sobre mudança social: autoritarismo e controle das mudanças

 

21/10/2021

3. A reprodução da desigualdade: racismo e ordem social competitiva

 

25/11/2021

4. A terceira margem da sociologia: novos temas e a retomada da questão dos direitos

 

 

 

Fortuna Crítica

Departamento de Sociologia

Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Apoios: Coordenadoria de Eventos, Extensão e Difusão do IFCH


Programação:

Data e horário da programação Título Local Descrição
qui, 19/08/2021 - 17:00 1.A questão social e a questão nacional: o pensamento conservador frente à discussão sobre a desigualdade Canais do IFCH no Youtube, Facebook e Twitter

Em duas etapas distintas do debate internacional das ciências sociais, a questão social aparece como componente fundamental: na formulação da diversidade – regional, setorial, racial, cultural, religiosa – e na sugestão de políticas públicas visando à homogeneização da sociedade ou à superação/acomodação das desigualdades. Levando em consideração essas proposições, buscarei apontar como essas questões são abordadas pelos autores brasileiros em períodos importantes marcados pela mudança social. Nessa direção procurarei apontar como o pensamento conservador no Brasil marcou fortemente a exclusão de vastos setores da população a partir da naturalização da desigualdade.

Textos indicados para leitura

Bastos, Elide. A questão social e a sociologia. Publicado originalmente em São Paulo em Perspectiva, 1991. (Versão revista e ampliada faz parte do livro Florestan Fernandes e a terceira margem da sociologia – em preparação)

FERNANDES, Florestan. Circuito fechado. São Paulo: Hucitec, 1976.

 

FREYRE, Gilberto. Interpretação do Brasil. Aspectos da formação social brasileira como processo de amalgamento de raças e culturas. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1947.

VIANNA, Oliveira. Populações Meridionais do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1952.

seg, 23/08/2021 - 17:00 2. Diferentes visões sobre mudança social: autoritarismo e controle das mudanças Canais do IFCH no Youtube, Facebook e Twitter

O conceito de mudança social é noção central na sociologia, porém configura-se com sentido polissêmico. Muitas vezes é vista num sentido linear, aplicável de modo indiferenciado a todas as situações sociais. Outras, é vista conjunturalmente ou, ainda, a historicidade marca seu perfil. A tradição teórica que serve de base à minha reflexão articula faces diferentes na sua definição: considera básico que a sociologia pense o aqui e o agora, mas buscando sempre a compreensão do caminho trilhado historicamente na configuração dos problemas e dos embates atuais. Assim, estudando a sociedade brasileira mostra-se a necessidade de refletir como o pensamento sociológico configurou as ideias que serviram de base para a ação. Portanto, desse ponto de vista, é central pensar as relações entre estrutura e agência; refletir como as diferentes forças sociais procuram atuar em relação às mudanças sociais permitindo ou não a emergência de novos atores. Assim, entender como as forças sociais tradicionais procuram exercer controle sobre as mudanças e buscam construir a legitimação dessa intervenção.

Textos indicados para leitura

BASTOS, Elide. Gilberto Freyre e o tema da mudança social. In: Roberto Azoubel. Gilberto Freyre 120 anos. Recife: CEPE, 2021 (no prelo)

BASTOS, Elide. Florestan Fernandes e a questão das mudanças sociais. (faz parte do livro Florestan Fernandes e a terceira margem da sociologia – em preparação)

FERNANDES, Florestan. Mudanças sociais no Brasil. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1974.

LAMBERT, Jacques. "Les obstacles au dévelloppement provenant de la formation d'une société dualiste. In: Anais do Seminário Internacional Resistências às Mudanças - fatores que impedem ou dificultam o desenvolvimento. Rio de Janeiro: Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, publicação n. 10, p. 27-50, 1960.

qui, 21/10/2021 - 17:00 3. A reprodução da desigualdade: racismo e ordem social competitiva Canais do IFCH no Youtube, Facebook e Twitter

21/10/2021, às 17h

Diante da crise sanitária que o mundo atravessa coloca-se com força a questão dos limites da democracia. A situação da sociedade brasileira pode ser alinhada à atualidade do debate internacional sobre a concepção formal de justiça e de igualdade de condições sociais, políticas e culturais, cotidianamente levantada pelos dirigentes da Organização Mundial de Saúde diante dos desníveis de acesso aos cuidados médicos. A costumeira visão naturalizada da assimetria social que faz parte da história brasileira começa a ser abalada diante dos fatos inegáveis de uma sociedade marcada pela pobreza, pela desigualdade, pela exclusão, pela concentração de riqueza e má distribuição de bens. Mas, para o estudioso das ciências sociais a constatação dessa situação não é suficiente, mesmo que acertadamente possa ancorar políticas sociais importantes. É necessário ir além do aparentemente constatável e caminhar na direção da compreensão das razões da reprodução dessa situação ao longo da história nacional. Só assim torna-se possível definir e intervir em relação aos mecanismos dessa reprodução. A inclusão da população liberada pela abolição da escravatura à sociedade foi tema importante do pensamento brasileiro. Porém, na maior parte dos textos, mesmo não se apresentando como intenção explícita, reforça-se o comportamento discriminatório herdado do antigo regime. A denúncia dessa situação encontra fortes representantes no grupo que se forma em torno de Florestan Fernandes na USP. A pergunta que levanto é como os elementos analíticos levantados por essa tradição podem ajudar a refletir sobre as várias formas contemporâneas de discriminação.

Textos indicados para leitura

BASTOS, Elide. A questão racial e a revolução burguesa. In: D’INCAO, Angela. (Org,) O saber militante.: ensasios sobre Florestan Fernandes. São Paulo: Paz e Terra, 1987. DUARTE, Paulo. Negros do Brasil. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 16 abr. 1947, p. 5 e 17 abr. 1947, p. 6.

BASTOS, Elide. Sessenta anos de um relatório exemplar. In: em Sinais Sociais, v. 10, 2015.

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Dominus Ed.: EDUSP, 1965.

 

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. Formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: Maia & Schmiidt Ltda, 1933.

RAMOS, Guerreiro. Introdução Crítica à Sociologia Brasileira. Rio de Janeiro: Andes, 1957.

qui, 25/11/2021 - 17:00 4. A terceira margem da sociologia: novos temas e a retomada da questão dos direitos Canais do IFCH no Youtube, Facebook e Twitter

25/11/2021, às 17h

Se aceitarmos que a sociologia possa ser a consciência crítica da sociedade, somos impelidos a pensar como as mudanças históricas nos colocam não somente novos temas, mas como os velhos temas têm que ser vistos a partir de diferentes ângulos. Tendo como provocação a pergunta levantada por Florestan Fernandes – O que é fazer sociologia num país localizado na periferia do capitalismo? – proponho a análise das diferentes abordagens do grupo de sociologia da USP centralizado por esse sociólogo. Busco aproximar algumas dessas proposições à discussão levantada internacionalmente, em especial pelos cientistas sociais do sul do mundo, sobre a possibilidade de responder à questão: é possível fazer uma sociologia dotada de caráter universal a partir da periferia? Trata-se de uma provocação e não pretendo ter em mãos resposta definitiva. Esse desafio põe em questão algumas posições analíticas bastante cômodas a que nos acostumamos a tomar nas análises das ciências sociais - as visões exclusivamente institucionalistas, teoricistas ou empiricistas – e nos leva a visualizar a sociedade tal como ela é, sua base social, os comportamentos, valores e práticas. Diante dos problemas é preciso ousar pensar.

Textos indicados para leitura

BOTELHO, André. O retorno da sociedade. Política e interpretações do Brasil. Petrópolis: Vozes, 2019.

 

BRINGUEL, Breno y BRASIL JR>, Antonio. Antologia del pensamento crítico brasileño contemporâneo. Buenos Aires: CLACSO, 2018.

 

CHAGURI, Mariana e MEDEIROS, Mário (org.). Rumos do Sul. Periferia e pensamento social. São Paulo: Alameda, 2018.

 

CRUZ, Sebastião Velasco e. Notas sobre o paradoxo dos direitos humanos e as relações hemisféricas. In: Lua Nova, nº 86, São Paulo: CEDEC, 2012, pp. 17-50.

DOMINGUES, José Maurício. Interpretando a modernidade. Imaginação e instituições. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002.