Professor do IFCH Unicamp lança livro que debate o papel da branquitude e as estruturas de privilégio na América Latina
O professor Mário Augusto Medeiros da Silva, do Departamento de Sociologia do IFCH Unicamp, é um dos coordenadores do recém-lançado livro "Branquitudes / blanquitudes: diálogos latino-americanos sobre convivialidade e desigualdade". Publicada pela Hucitec Editora, a obra conta também com a coorganização dos pesquisadores Patricia de Santana Pinho (Universidade da Califórnia), Roosbelinda Cárdenas (John Jay College - CUNY) e Hugo Ceron-Anaya (Lehigh University).
Reunindo especialistas de diversas regiões e áreas do conhecimento, o livro propõe analisar as relações raciais a partir das realidades específicas da região. O livro se propõe a debater uma questão historicamente ignorada nas ciências sociais: o que significa ser branco na América Latina?
O Branquitudes / blanquitudes demonstra que a branquitude não se resume a traços físicos, englobando estruturas de privilégio, práticas culturais e políticas que sustentam o racismo por trás do mito da mestiçagem. Com foco no Sul Global, o livro reúne pesquisas sobre a dinâmica do privilégio branco no Brasil, México, Colômbia e Chile. Para isso, introduz categorias analíticas próprias, como “branquitude extraordinária” e “raça confessional”.
O projeto inova ao consolidar uma perspectiva latino-americana sobre o tema, unindo a produção científica lusófona e hispanófona como contraponto ao predomínio da literatura anglo-saxônica. Os artigos analisam desde o impacto de políticas urbanas na segregação racial até a evolução histórica do branqueamento, detalhando os mecanismos sociais e afetivos que mantêm essas hierarquias.