
Universidade premia tese que analisa contradições socioecológicas na alta gastronomia
A tese “Um banquete à beira do abismo: uma análise socioecológica das relações entre a gastronomia e a sociobiodiversidade”, da pesquisadora e egressa do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Talitha Alessandra Ferreira, foi escolhida a melhor tese na categoria Ciências Humanas e Artes do Prêmio Tese Destaque Unicamp 2026. A solenidade de entrega dos prêmios e certificados aos autores e orientadores aconteceu no último dia 7 de agosto, no Auditório do GGBS.
Promovido pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) da Unicamp, o Prêmio Tese Destaque Unicamp tem como objetivo reconhecer trabalhos de doutorado de alta relevância científica, originalidade e impacto acadêmico e social desenvolvidos nos programas de pós-graduação da universidade. Nesta edição, foram contemplados oito trabalhos no total, distribuídos entre as grandes áreas do conhecimento: Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas e da Saúde, Engenharias, e Ciências Humanas, Sociais e Artes. Defendido no ano passado, o trabalho de Talitha Alessandra Ferreira foi desenvolvido sob a orientação do professor Michel Nicolau Netto.
A tese investiga o interesse crescente da gastronomia por produtos da sociobiodiversidade e examina problemas e práticas que contradizem a crença de que a culinária atua como ferramenta de proteção ambiental e social. A partir de parcerias entre chefs e comunidades tradicionais e indígenas, o trabalho analisa desequilíbrios ecológicos e o papel histórico de cientistas e artistas na consolidação da confiança nessa área. Por meio de conceitos como cultura, evolução, controle e colonialidade, o estudo compara os movimentos do setor em direção a esses territórios a empreitadas neocolonizadoras e neobandeirantistas, evidenciando a produção de desigualdades estruturais.
Utilizando uma revisão bibliográfica interdisciplinar que cruza sociologia, história, antropologia e ecologia, a pesquisa também preenche lacunas na sociologia da cultura e na obra de Pierre Bourdieu ao incorporar questões ecológicas aos estudos alimentares. Por fim, a autora argumenta que a valorização mercadológica dos ingredientes nativos frequentemente reduz a agência, a história e os sentidos atribuídos pelas comunidades locais, tornando essas relações potencialmente insustentáveis.