
Agregador de Pesquisas Eleitorais por Religião
A presença da religião no debate político brasileiro ganhou ainda mais destaque e passou a ocupar o centro das disputas eleitorais. Para dimensionar esse impacto no cenário político, o Laboratório de Antropologia da Religião (LAR), vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH Unicamp), lançou o Agregador de Pesquisas Eleitorais por Religião.
Disponível para consulta pública no site do LAR Unicamp, a ferramenta é fruto do Projeto Temático “Religião como política: moralidades, ativismos e laicidades”, financiado pela Fapesp, e consolida dados de intenção de voto e rejeição para o cargo de presidente detalhando o comportamento de diferentes grupos de fé. Sob a coordenação do professor Ronaldo de Almeida, do Departamento de Antropologia e diretor do IFCH, e com a pesquisa associada de Dirceu André Gerardi (MPGPP FGV/FGV Projetos), o agregador compila levantamentos nacionais realizados desde janeiro de 2026, além do histórico completo do pleito de 2022.

“O Agregador foi criado nas eleições presidenciais de 2022 e, agora, apresenta a média móvel, desde janeiro de 2026, das intenções e rejeições de voto para presidente segundo a religião, a partir dos dados dos dez principais institutos de pesquisa do país”, afirma o professor Ronaldo de Almeida. O pesquisador aponta que a relação entre religião e voto vem de longe, mas ganhou novos contornos recentes. “Essa relação entre religião e voto vem de longe, mas, desde as eleições de 2018, a religião se tornou uma variável incontornável. Em 2018, havia uma gradação do voto segundo a religião: em ordem decrescente, Bolsonaro apresentava maior intenção de voto entre evangélicos, judeus, espíritas, católicos, pessoas sem religião e adeptos de religiões afro-brasileiras. Haddad apresentava uma distribuição praticamente inversa”, afirma Ronaldo.
Contudo, a dinâmica mudou drasticamente nos pleitos seguintes, transformando a antiga escala em uma divisão polarizada, explica o professor Ronaldo. “Conforme mostra o Agregador, em 2022 e agora em 2026, a gradação de 2018 se transformou em dois pólos: de um lado, predomina entre os evangélicos a intenção de voto nos Bolsonaro; de outro, predomina entre católicos, pessoas sem religião, espíritas e adeptos de outras religiões o voto em Lula. Se na média nacional há um equilíbrio, em termos de religiosos são os evangélicos contra a ‘rapa’. E no sprint final deste primeiro turno, hierarquia e catolicismo popular entraram ou foram levados a entrar no ringue.”

A plataforma reúne mais de 150 levantamentos realizados por dez institutos de pesquisa sobre as eleições presidenciais de 2022 e 2026, servindo para o acompanhamento síncrono do processo eleitoral e para análises comparativas. Entre os institutos consultados na base de dados estão Atlas, BTG/Nexus, Datafolha, Futura, Gerp, Ideia, MDA, PoderData e Quaest, contemplando tanto sondagens presenciais quanto telefônicas.
A metodologia da ferramenta processa as informações considerando a última data de coleta dos dados, aplicando o cálculo de média móvel para suavizar oscilações e ruídos temporais. O sistema também contabiliza as especificidades demográficas e metodológicas de cada instituto, apontando que os universos amostrados variam conforme os critérios das pesquisas e a base de dados do Censo 2022 do IBGE, PNAD Contínua de 2025 e do TSE.
Conheça o agregador acessando o site do Laboratório de Antropologia da Religião em https://www.larunicamp.com.br/. O agregador pode ser consultado direto pelo endereço https://agregador-de-pesquisas-eleiotorais-por-religiao.streamlit.app/.