
Nota de Repúdio da Direção do IFCH Unicamp contra as agressões aos estudantes da universidade
A Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas vem a público manifestar seu mais veemente repúdio ao ataque violento, intimidatório e de clara motivação política sofrido pelos estudantes em greve na madrugada deste dia 27 de maio de 2026 no prédio do Ciclo Básico II. A ação foi protagonizada por integrantes do movimento de extrema direita Movimento Brasil Livre (MBL), os mesmos que, de forma recorrente, tentam transformar a universidade pública em palco de suas campanhas de ódio e engajamento digital.
Para a comunidade do IFCH, este episódio não é um caso isolado, mas a continuidade de uma escalada criminosa e coordenada. Em fevereiro deste ano, durante o início das aulas e da calourada, nosso próprio instituto foi alvo de uma invasão direta por esse mesmo grupo. Naquela ocasião, além do vandalismo contra o patrimônio e do apagamento de manifestações dos movimentos negro e trans, a provocação descambou para a agressão física, deixando três estudantes feridos. Relembramos, com profunda indignação, as declarações públicas dos próprios invasores que, assumidamente movidos pelo "ódio", usaram de termos desumanizantes para se referir aos nossos alunos.
O ataque desta madrugada ao acampamento dos estudantes do Instituto de Artes (IA) no Ciclo Básico reforça o caráter sistemático dessas incursões, que não se restringem à Unicamp. Nos últimos dias, a Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara também sofreu invasões semelhantes, somando-se aos episódios já enfrentados pela FFLCH USP, Ufscar e pela Unifesp, entre outras instituições. Trata-se de uma ofensiva articulada contra as Humanidades, as Artes e o pensamento crítico nas universidades públicas paulistas.
O movimento estudantil tem exercido seu direito legítimo à greve de maneira organizada e pacífica, em defesa da universidade pública e gratuita. Manifestamos nossa irrestrita solidariedade aos estudantes e à Direção do Instituto de Artes. Diante da gravidade e da reincidência desses atos, endossamos o posicionamento da Reitoria da Unicamp e exigimos que as medidas administrativas e jurídicas anunciadas sejam aplicadas com o máximo rigor.
É urgente a articulação das direções das faculdades atingidas para exigir a identificação, criminalização e responsabilização judicial desses invasores e de seus articuladores. Não podemos permitir que os campi sejam submetidos ao medo e à coerção de grupos externos. A autonomia universitária e a integridade de nossa comunidade são inegociáveis.
Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas