Entender o caráter das teorias científicas foi um desafio perene da filosofia da ciência e particularmente dos empiristas lógicos. Parte significativa dos trabalhos tardios de Rudolf Carnap foram reservados a arregimentar formas de expressar as teorias científicas, analisar os limites de sua aplicação, e sedimentar um tratamento formalizado de seus termos de modo a bloquear potenciais abusos na forma de infusão de teses metafísicas.
Baseada no Princípio de Tolerância, a sugestão irênica de Carnap propunha constituir uma plataforma onde as disputas metafísicas fossem dissolvidas e os esforços de compreensão redirecionados à avaliação das formas de linguagem que melhor cumprissem os requisitos para a descrição e análise das teorias.
Quase sem exceção, os compromissos metodológicos que permitiram erigir sua concepção final foram questionados na sequência do sec. XX. Mais recentemente, a concepção tardia de Carnap de representar uma teoria na forma das sentenças-Ramsey foi criticada por Psillos (1999) por ser suscetível à mesma objeção feita por M. Newman ao estruturalismo de Russell, apresentado em The Analysis of Matter (1927), e ser, como este, trivial. Esta tese propõe analisar a possibilidade de que essa e outras objeções possam ser adequadamente respondidas, e, nessa medida, objetiva contribuir para o restabelecimento da viabilidade da proposta de Carnap para a configuração do debate entre realistas e instrumentalistas na filosofia da ciência, mesmo à luz de refinamentos encontrados nos debates contemporâneos.