
Nota de pesar Prof. Dr. Omar Ribeiro Thomaz
O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Unicamp manifesta profunda tristeza pelo falecimento do professor Omar Ribeiro Thomaz e expressa seus sentimentos aos familiares, colegas e amigos.
Graduado em História da Arte pela Universidade de Barcelona e doutor em Antropologia Social pela USP, Omar ingressou na Unicamp em 2001. Seus trabalhos foram guiados por uma preocupação que atravessou sua trajetória, em diversos contextos etnográficos: a desigualdade produzida pelo projeto colonial. Ele a perseguiu por meio de um diálogo interdisciplinar perspicaz, entre antropologia e história, atento tanto aos grandes processos quanto aos indícios eloquentes. Da investigação da história ao escrutínio dos ínfimos detalhes, Omar mostrou que o mundo colonial se constitui nas grandes exposições, na memória da saída forçada, mas também na esperança do retorno. Permeado pela dor, mas também pelo cuidado, esse universo complexo é feito de violência, mas também de formas belas e tristes de resistência. Ele se revela nas janelas coloridas das casas abandonadas na Guiné-Bissau, que, se lembram a expulsão, também testemunham o desejo inabalável de voltar. E, nas ruínas do Haiti, onde esteve durante o grande terremoto, compartilhando solidariedade, mas também denunciando as políticas internacionais ineficazes na resolução das sucessivas crises no país.
Omar buscava compreender os processos de violência no mundo, suas raízes e seus efeitos, movido pela convicção de que uma ciência ética não deve perder de vista a indignação diante da desigualdade. Foi com esse espírito que formou pesquisadores, com erudição e generosidade: orientou dezenas de mestrados e doutorados no PPGAS e no PPGH. Na Unicamp, abriu caminho para novas gerações interessadas no Caribe, na África austral e central e no pós-socialismo na Europa central. Recebia todas as pessoas que o procuravam para falar de suas pesquisas, ou então para ouvir as histórias que narrava como poucos.
Omar dedicou-se a fazer com que a universidade pública produzisse conhecimento crítico e exercesse também seu papel cidadão, em um mundo repleto de injustiças, mas contra o qual se podia resistir, com humor e com um sorriso.
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