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Nota

Nota do IFCH Unicamp em Defesa da Autonomia Universitária e do Diálogo

  • Comunicação

O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas manifesta seu mais veemente repúdio à violenta operação policial realizada na madrugada deste domingo na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). A ação da Polícia Militar representou um grave ataque à autonomia universitária, ao direito de organização e à livre expressão política.

É inaceitável que a força bruta tenha sido utilizada sem mandado de reintegração de posse, nem ordem judicial e sem tentativas prévias de reabertura de negociação para uma solução pacífica. As imagens de brutalidade que circulam pela mídia, como resposta escolhida para lidar com manifestações estudantis, são incompatíveis com o Estado Democrático de Direito e com a missão da universidade pública, gratuita e de qualidade.

A pauta do movimento estudantil da USP é legítima e deve ser respeitada. Com o avanço das ações afirmativas, houve mudanças profundas no perfil do corpo discente das universidades estaduais paulistas, com a presença massiva dos filhos da classe trabalhadora, com um grande número de jovens negros e negras, indígenas e pessoas trans, muitos dos quais oriundos de situações de vulnerabilidade. 

É urgente que as instituições compreendam que as políticas de acesso e permanência estudantil, como moradia e alimentação decentes, são necessárias para a vivência desse novo público no meio acadêmico e que esforços devem ser feitos para que os estudantes prossigam seus estudos com dignidade, visto que a assistência de moradia e bolsas atuais não são suficientes para a permanência do corpo discente atual, nem para os próximos.

Desta forma, o IFCH Unicamp se solidariza com os estudantes da USP e defende a imediata reabertura das negociações entre a Reitoria da USP e o movimento estudantil. A universidade pública deve ser, antes de tudo, um território livre de repressão policial. Somente assim a instituição pode se consolidar como um espaço de acolhimento, justiça social e compromisso com a democracia. 

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp