
AEL e Me Too Brasil assinam acordo para tratamento do acervo do Centro de Informação Mulher
O Arquivo Edgard Leuenroth (AEL) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, e a ONG Me Too Brasil firmaram neste mês de novembro um acordo de cooperação para a salvaguarda, o tratamento e a ampliação do acesso ao acervo do Centro de Informação Mulher (CIM), considerado o maior conjunto documental da América Latina dedicado às lutas feministas.
Criado em 1981 e doado ao AEL em 2023, após o encerramento das atividades de sua sede, o acervo reúne cerca de 240 metros lineares de documentação e aproximadamente 5.000 cartazes. Trata-se de um patrimônio fundamental para a pesquisa sobre a história dos movimentos de mulheres, a resistência ao patriarcado e a produção intelectual feminista no Brasil e na América Latina.
Pelo acordo, a ONG — reconhecida por sua atuação no enfrentamento à violência sexual e no apoio jurídico, psicológico e social às vítimas — apoiará ações de preservação, higienização e acondicionamento dos documentos. O AEL será responsável pela orientação técnica, pelo restauro, pela elaboração da listagem e por preparar o acesso público ao material. A previsão é que o acesso aos primeiros conjuntos documentalmente estabilizados seja aberto de forma gradual a partir de 2026.

Além do tratamento do acervo CIM, o acordo estabelece um escopo mais amplo de cooperação entre as instituições. Entre as ações previstas estão a formação de uma rede de pesquisadoras(es) dedicada à preservação da memória feminista; a prospecção e captação de novos acervos ligados à luta contra a violência às mulheres; a produção de conteúdos em múltiplas linguagens e formatos digitais; a elaboração de catálogos e instrumentos de pesquisa; e o intercâmbio entre integrantes do Me Too Brasil e pesquisadores da Unicamp. A parceria poderá, ainda, envolver outros núcleos de pesquisa da universidade mediante termos aditivos.
O projeto segue um cronograma estruturado: a higienização dos documentos será realizada entre novembro de 2025 e junho de 2026 por empresa especializada; a listagem, identificação e acondicionamento ocorrerão de dezembro de 2025 a dezembro de 2026, com participação de bolsistas de formação da Unicamp; e a guarda final na área de acervo será acompanhada pela equipe técnica do AEL.

A iniciativa foi proposta pela presidente do Me Too Brasil, Marina Zanatta Ganzarolli, e prontamente acolhida pelos diretores do AEL, Mário Medeiros e Gustavo Rossi. Para o Arquivo, a construção de soluções em parceria com movimentos sociais reafirma o compromisso institucional com a preservação da memória das lutas sociais e o entendimento, compartilhado pelo AEL e pelo IFCH-Unicamp, de que a universidade pública deve ser permeável às demandas da sociedade e atuar ativamente na promoção de direitos e na construção de horizontes mais igualitários.