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O livro analisa a emergência de uma racionalidade de gestão ambiental no Brasil por meio de um instrumento específico, qual seja, a avaliação de impacto. Tomando-a por uma ferramenta de operacionalização da política pública, esta é observada no âmbito dos processos administrativos de licenciamento de empreendimentos e atividades de significativo impacto a partir da segunda metade do século XX por meio dos esquemas teóricos oferecidos por Foucault, fundamentalmente no que diz respeito à governamentalidade. Sob essa perspectiva, tanto o meio ambiente quanto a avaliação de impacto são estudados tendo em vista o quadro da racionalidade governamental neoliberal. O estudo tem por objetivo geral identificar e explicitar as características da racionalidade da gestão ambiental em função das condições em que é praticada no território brasileiro, evidenciando também as peculiaridades relacionadas à subjetivação dos indivíduos em sujeitos responsáveis ambientalmente, bem como as formas de resistência que mobilizam e ressignificam o discurso ambiental. Além disso, se propõe a conhecer as peculiaridades da racionalidade que organiza as maneiras de governar o meio ambiente no Brasil; distinguir as práticas observadas em relação ao que se verifica nos Estados Unidos; analisar as formas de subjetivação dos atores ambientalmente responsáveis; identificar as características próprias e sistemáticas do governo ambiental no Brasil, considerando a constituição de saberes e processos específicos, a emergência de sujeitos que moldam e são objeto dessas práticas, e as implicações desse governo com a racionalidade governamental neoliberal; por fim, compreender de que modo essas práticas são recorrentemente identificadas no âmbito de relações entre os objetos e sujeitos do governo ambiental (e.g., dano e impacto; poluidor e poluição).
Série: E-Book Área de conhecimento: Ciência Política Ano: 2023