Teoria crítica e tecnologias digitais

As tecnologias digitais surgiram e ganharam a sua própria rede interativa de comunicação no século XX, porém foi a partir do início da década de 2000 que ultrapassaram os domínios dos centros de pesquisa e industriais para atingir com um impacto forte e crescente a vida social e cotidiana das pessoas, inclusive no sul global. Hoje em dia as maiores empresas do mundo são as que oferecem plataformas digitais, grande parte dos empregos formais e informais são mediados por aplicativos, e análises preditivas moldam e intensificam a financeirização da economia. A cultura e as artes também foram invadidas pelos mais diferentes meios digitais e as interações humanas ganharam uma forma nova e um ambiente próprio com as redes sociais, que muitas vezes misturam a vida profissional, privada e pública dos indivíduos. Essas mesmas redes sociais tiveram um papel importante e crescente nas decisões políticas em todo o globo terrestre, ao ponto de serem centrais para a articulação de movimentos e para a eleição de representantes.

A teoria social se debruçou de diferentes maneiras sobre a relação entre essas tecnologias e as sociedades contemporâneas na tentativa de apreender criticamente os seus pressupostos e as suas consequências mais atuais. Isso fez com que alguns temas se estabelecessem na pesquisa: a investigação das condições de produção dessas novas tecnologias, de seus nexos com o capital e de seus problemas econômicos e sociais; o estudo da transformação das nossas subjetividades e visões de mundo levada em frente pelos objetos e meios digitais e das dificuldades envolvidas na formação e na dinâmica das esferas públicas digitais e de suas comunidades são exemplos desses temas. Além disso, acadêmicas e intelectuais do mundo todo também vem apontando para o caráter militarizado, racista e sexista dos códigos que desenham a performance de máquinas e aparelhos que vão desde câmeras com reconhecimento facial até descritores de histórico de crédito.

A chamada sobre teoria crítica e tecnologias digitais convida a submissão de artigos, resenhas e traduções de textos que reflitam criticamente sobre a relação entre as tecnologias digitais e a sociedade nas áreas da filosofia, política, história, midialogia, sociologia, antropologia, economia, estética, entre outras. Além dos temas ressaltados acima, sugerimos outros que podem nortear as submissões:

  • Plataformas, precarização e trabalho digital
  • Transformações e conflitos das esferas públicas digitais
  • Movimentos de artes digitais, tendências na produção e comercialização
  • Contradições e efeitos sociais da financeirização digital
  • Economia política dos dados
  • Big data, algoritmos e produção de conhecimento
  • Videogames, influencers, comunidades e o entretenimento digital
  • Internet, sociabilidade e a vida cotidiana
  • Ciência de dados, meio ambiente e sustentabilidade
  • Desigualdades e injustiças de gênero e raça nas tecnologias digitais
  • Realidade aumentada, inteligência artificial e seus efeitos sociais

NOVO PRAZO para submissões: 31/01/2022

Editores: Ana Flávia Badue (City University of New York), Fernando Bee (Universidade Estadual de Campinas)

Para mais informações, acesse as nossas diretrizes gerais e as normas de formatação e estilo, citações e referências bibliográficas antes de submeter um trabalho.