Leituras da desobediência em Herbert Marcuse: dominação, resistência e liberdade

Resumo

O propósito deste artigo é mapear alguns traços do diagnóstico de tempo presente elaborado por Herbert Marcuse diante da escalada dos eventos políticos de contestação ao final da década de 1960. Tendo em vista a moldura de sua produção teórica, ressalto-a como um dos momentos fundamentais do pensamento político-filosófico do século XX por desenvolver o problema da relação entre negatividade e ação política. Na primeira parte do texto, exponho a compreensão de Marcuse acerca do problema do negativo por meio da sua apropriação crítica da dialética. Na segunda parte, exploro sua interpretação do conceito de desobediência civil, o qual se transforma em expressão da mobilidade de forças sociais contrapostas à tendência de integração e controle social oportunizada pelo aparato técnico e político. Nesse contexto, destaca-se como modulador conceitual a noção de oposição. Com a reconfiguração das tendências dominantes da política, pretende-se resgatar a filosofia de Marcuse no desenvolvimento do pensamento político e demonstrar o potencial do exercício de crítica do presente.

Biografia do Autor

Roan Costa Cordeiro, Universidade Federal do Paraná

Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (PPGFIL-UFPR/CAPES). Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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Publicado
2020-01-22
Como Citar
Costa Cordeiro, R. (2020). Leituras da desobediência em Herbert Marcuse: dominação, resistência e liberdade. Dissonância: Revista De Teoria Crítica, 3, 1-32. Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/teoriacritica/article/view/3585
Seção
Artigos (Seção Temática)