Mulheres preparadas

fazendo corpos e “caminhos” a partir das rezadeiras Pankararu

  • Arianne Rayis Lovo Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Pessoa, Mobilidade, Xamanismo, Pankararu

Resumo

Busco investigar a fabricação de corpos e caminhos no coletivo Pankararu, a partir das rezadeiras que habitam a cidade de São Paulo e a Terra Indígena Pankararu, em Pernambuco, bem como a configuração de novas territorialidades a partir dos deslocamentos entre aldeia e cidade. Tal fato aponta para uma mobilidade que coloca em relação diferentes agentes, como indígenas, não indígenas, Estado, encantados, plantas. Nesse sentido, a pesquisa se insere nos debates acerca de processos de formação da pessoa, mobilidade e xamanismo, buscando compreender aspectos da corporalidade, noções de doença e cura e os processos de produção de novas territorialidades.

Biografia do Autor

Arianne Rayis Lovo, Universidade Estadual de Campinas

Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas.

Referências

ALVES, Yara. A casa raiz e o vôo de suas folhas: Família, Movimento e casa entre os moradores de Pinheiro-MG. 2016. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo.

ARRUTI, José Maurício Paiva Andion. O Reencantamento do Mundo: trama Histórica e Arranjos Territoriais Pankararu. 1996. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

ARRUTI, José Maurício Paiva Andion. Censo Étnico Colaborativo dos Pankararu residentes no Real Parque (SP), 2017 (no prelo).

AZEVEDO, Marta. Saúde reprodutiva e mulheres indígenas do Alto Rio Negro. Caderno CRH, Salvador, v. 22, n. 57, p. 463-477, set./sez. 2009.

BELAUNDE, Luisa, Elvira. A força dos pensamentos, o fedor do sangue. Hematologia e gênero na Amazônia. Revista de Antropologia, São Paulo, USP, 2006, v. 49 n. 1, p. 205-246, jan./jun. 2006.

CAMARGO JR., Kenneth R. A Biomedicina. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 15 (Suplemento), p. 177- 201, 2005.

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. Pontos de vista sobre a floresta amazônica: xamanismo e tradução. Mana, Rio de Janeiro, v. 4, n. 1, p. 7-23, abr. 1998.

COLPRON, Anne-Marie. Monopólio masculino do xamanismo amazônico: o contra-exemplo das mulheres xamã shipibo-conibo. Mana, Rio de Janeiro, v. 11, n.1, p. 95-128, abr. 2005.

COMERFORD, John; CARNEIRO, Ana; DAINESE, Graziele (Org.). Giros etnográficos em Minas Gerais: casa, comida, prosa, festa, política, briga e o diabo. Rio de Janeiro: 7 Letras: FAPERJ, 2015.

DANTAS, Beatriz G; SAMPAIO, José Augusto L; CARVALHO, Maria Rosário G. (Org). Os povos indígenas no Nordeste brasileiro: um esboço histórico. In: História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, Secretaria Municipal de Cultura, FAPESP, 1992, p. 431-456.

DARIO, Rossano Fábio. Uso de plantas da caatinga peo povo indígena Pankararu no Estado de Pernambuco, Brasil. Revista Pau dos Ferros, Rio Grande do Norte, v. 8, n. 1, p. 60-76, jan./jun. 2018.

ESTANISLAU, Roberto Bárbara. A eterna volta: migração indígena e Pankararu no Brasil. 2014. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Filosofia em Ciências Humanas, Campinas.

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Brasília: FUNASA/Ministério da Saúde, março 2011. Disponível em: http://www.funasa.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/10/relatorio_2010.pdf. Acesso em 22 set. 2020.

GALLOIS, Dominique T. A categoria “doença de branco”: ruptura ou adaptação de um modelo etiológico indígena?. In: D. BUCHILLET (Org). Medicinas tradicionais e medicina ocidental na Amazônia. Belém: MPEG/ Edições Cejup, UEP, 1991, p. 175-206.

GIBERTI, Andrea Cadena. Nascendo, Encantando e Cuidando – uma etnografia do Processo de Nascimento nos Pankararu de Pernambuco. 2013. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo.

GODOI, Emilia Pietrafesa de. Territorialidade. In: Dicionário Crítico das Ciências Sociais dos Países de Fala Oficial Portuguesa. Bahia: EDUFBA, 2014, p. 443-452.

GUEDES, André D. Lutas por terras e território, desterri-torialização e território como forma social. In: Rev. Bras. Estud. Urbanos Reg., Recife, v.18, n.1, p. 23-39, jan./abr. 2016.

HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do fim dos territórios à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.

HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, Campinas, v. 5, n. 5, p. 7-41, 2009.

INGOLD, Tim. Being alive: essays on movement, knowledge and description. London: Routledge, 2011.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brasília: IBGE/Ministério do Trabalho, 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/terrasindigenas/ Acesso em: 22 set. 2020.

IUBEL, Aline; SOARES-PINTO, Nicole. As T/terras e suas potências etnográficas. In: Apresentação ao Dossiê Antropologia das T/terras. Revista de @ntropologia da UFSCar, 9 (1), jan./jun. 2017.

LANGDON, Ester Jean. Redes xamânicas, curanderismo e processos interétnicos: uma análise comparativa. Dossiê Amazônia: Sociedade e Natureza. v.17, n.1, p. 62-84, 2012.

LOPES, Rafael da Cunha. Cura encantada: Medicina Tradicional e Biomedicina entre os Pankararu do Real Parque em São Paulo. 2011. Tese (Mestrado) - Universidade Federal de São Paulo, São Paulo.

LOVO, Arianne Rayis. Lá, sendo o lugar deles, é também o meu lugar: pessoa, memória e mobilidade entre os Pankararu. 2017. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Filosofia em Ciências Humanas, Campinas.

MATTA, Priscila. Dois Elos da Mesma Corrente: Uma Etnografia da Corrida do Umbu e da Penitência entre os Pankararu. 2005. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Filosofia e Ciências Humnas, São Paulo.

MOTA, Clarice Novaes da. Sob as ordens da Jurema: o xamã Kariri-Shokó. In: LANGDON, Ester (Org.). Xamanismo no Brasil: Novas Perspectivas. Florianópolis: Editora da UFSC, 1996, p. 267-295.

MURA, Claudia . “Todo mistério tem dono!” Ritual, política e tradição de conhecimento entre os Pankararu. 2012. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

PISSOLATO, Elizabeth. A duração da pessoa: mobilidade, parentesco e xamanismo mbya (guarani). São Paulo: Unesp Editora: Pronex: Nuti/ ISA, 2007.

RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993 [1980].

RAMOS, Mirna Cruz. Cuerpo y reproducción entre los Pankararu del Pernambuco de Brasil. Anales de Antropología, 50 (2016), p. 75-95, 2010.

SAUMA, Julia F. Palavras carnais: sobre re-lembrar e re-esquecer, ser e não ser, entre os Filhos do Erepecuru. Revista Antropologia, São Paulo, v. 59, n. 3, p. 150-173, 2016.

STRATHERN, Marilyn. Necessidade de pais, necessidade de mães. Estudos Feministas, São Paulo, v. 3, n.2, p. 303-329, jul./dez.1995.

STRATHERN, Marilyn. Uma relação incômoda: o caso do feminismo e da antropologia. Mediações, Londrina, v. 14, n. 2, p. 83-104, jul./dez. 2009 [1987].

TUAN, Yi-Fi. Espaço e memória: a perspectiva da experiência. São Paulo: DIFEL, 1983.

Publicado
2020-11-25
Como Citar
Lovo, A. R. (2020). Mulheres preparadas. RURIS - Centro De Estudos Rurais , 12(2), 91-120. https://doi.org/10.53000/rr.v12i2.4249