Diaristas Agrícolas: entre o assalariamento e o ser camponês

Jonas Anderson Simões Das Neves

Resumo


Neste artigo discute-se a situação dos trabalhadores diaristas da agricultura familiar no município de São Lourenço do Sul – RS. As discussões apresentadas fazem parte da análise realizada durante a redação de tese de doutoramento do autor, porém aqui com um universo mais restrito, com treze entrevistas. Considerando-se o modelo analítico desenvolvido por Sorj (2008), a partir do qual a agricultura brasileira é dividida em três segmentos específicos, propõe-se trabalhar com os diaristas como componentes da categoria denominada produção familiar marginalizada. As informações coletadas permitiram verificar que o trabalho desenvolvido pelos trabalhadores diaristas é bastante precário, sendo marcado por sua total desregulamentação e por uma estratificação por cor e sexo que privilegia os brancos e os homens. Destaca-se a necessidade de que esses trabalhadores possuam algum tipo de representatividade, capaz de permitilos o acesso à proteção social e a perspectivas de um futuro afastado da pobreza.

Palavras-chave


Diaristas; Agricultura Familiar; Trabalho Precário

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