A última coisa humana?

a música na fronteira entre humanidade e animalidade

  • Andreia Marin Universidade Federal do Triângulo Mineiro
  • Marcos Câmara Castro Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Animalidade, Humanidade, Música, Indeterminação

Resumo

O presente texto é tecido nas inquietações sobre o limiar entre humanidade e animalidade. Depois das discussões sobre a linguagem, a modulação das emoções, a consciência da morte e a própria razão, identifica-se um resto que continua a ser defendido por alguns como característica exclusivamente humana: a música. As reflexões aqui apresentadas: têm origem na dissociação entre reprodução/imitação e produção musical, a partir de uma assertiva de D’Arezzo; ganham reforço nas provocações de Chabanon sobre o caráter não-imitativo da música e suas condições nos animais, selvagens e crianças; encaminham-se para as ideias de Derrida, de onde são destacadas as distinções entre bestialidade e soberania e a crítica ao singular genérico animal, e de Merleau-Ponty, com os conceitos de mundo percebido e Unwelt.

Biografia do Autor

Andreia Marin, Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Doutora em Ecologia e Recursos Naturais Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Marcos Câmara Castro, Universidade de São Paulo

Doutor em Artes pela Universidade de São Paulo

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Publicado
2020-12-15
Como Citar
Marin, A., & Castro, M. C. (2020). A última coisa humana?. PROA Revista De Antropologia E Arte, 2(10), 80-104. Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/3926
Seção
Artigos