Pode o Subalterno ser Representado?

– Um recorte analítico do cinema brasileiro

  • Kevin Luís Damásio Universidade Estadual de Campinas
  • Simone Boró Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: subalterno, representação, cinema nacional, marginal

Resumo

Este ensaio aborda o questionamento de Spivak – “Pode o subalterno falar?”, dispondo uma demanda precedente – “Pode o subalterno ser representado?”. Para tanto, analisa-se três filmes brasileiros – Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla; e Jogo Duro (1985), de Ugo Giorgetti, investigando-se uma inversão representativa das narrativas e uma mudança da hierarquia dos gêneros. Como método, dialoga-se esses longa-metragens com interlocutores sociológicos, como Bakhtin, Bourdieu e Collins, sob o intuito de aprofundamento das questões dispostas para a representação da subalternidade. Sob nossa hipótese, estes filmes materializariam a pré-existência do elemento representativo para a conseguinte interposição do elemento de arguição, podendo atuar como instrumentos de agenciamento político, ainda que bloqueado o pleno acesso ao direito legítimo da fala.

Biografia do Autor

Kevin Luís Damásio, Universidade Estadual de Campinas

Mestrando em História pela Universidade Estadual de Campinas

Simone Boró, Universidade Estadual de Campinas

Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas

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Publicado
2019-12-15
Como Citar
Damásio, K. L., & Boró, S. (2019). Pode o Subalterno ser Representado?. PROA Revista De Antropologia E Arte, 2(9), 221 - 239. Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/3763