Currículos mais musicais

considerações sobre transformações em matrizes curriculares indígenas, escolares e universitárias

  • Alexandre Ferraz Herbetta Universidade Federal de Goiás
Palavras-chave: Música, Decolonialidade, Indígenas, Escola, Universidade

Resumo

Este texto busca refletir sobre o potencial presente em musicalidades indígenas enquanto práticas pedagógicas contra-hegemônicas, as quais vão de encontro à colonialidade do ser, do poder e do saber, observada muitas vezes em instituições escolares indígenas e, também, na universidade. Desta forma, especificamente, busca-se descrever dois processos de transformação curricular nos quais a música atua enquanto possibilidade de prática decolonial e em contraposição à imposição de uma matriz eurocêntrica de conhecimento. Um destes processos se dá em escolas indígenas que participam do projeto do Núcleo Takinahaky da Universidade Federal de Goiás, o outro se dá no próprio currículo do Curso de Licenciatura em Educação Intercultural vinculado ao mesmo núcleo. 

Biografia do Autor

Alexandre Ferraz Herbetta, Universidade Federal de Goiás

Doutor em Antropologia pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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Publicado
2020-08-18
Como Citar
Herbetta, A. F. (2020). Currículos mais musicais. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(10), 200-220. Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/3519