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Domingo 23 é Dia de Jorge

Ana Paula de Souza Campos, Cleiton Machado Maia

Resumo


Este ensaio propõe trazer à tona o cenário carioca das festas religiosas em comemoração à figura do santo São Jorge, que aconteceram no feriado de 23 de abril de 2017 na cidade do Rio de Janeiro. O feriado municipal do dia de São Jorge foi promulgado em 2001 e o feriado estadual do dia de São Jorge em 2008. São Jorge é considerado extraoficialmente o santo padroeiro da cidade já que o santo oficial é São Sebastião. A figura de São Jorge é cultuada não apenas no estado do Rio de Janeiro, mas também no Rio Grande do Sul[1], São Paulo[2], Minas Gerias[3] etc. No ano de 2017, por exemplo, a comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, considerada oficialmente como a santa padroeira do Brasil, ocorreu junto à festa de São Jorge em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Numa procissão que reuniu mais de 15 mil pessoas[4], a imagem da santa, que veio do Santuário Nacional de Aparecida (SP) acompanhou a imagem do santo São Jorge.

Este ensaio foi realizado na Igreja Matriz de São Jorge em Quintino, na zona norte, e na Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, no centro da cidade, na Praça da República no Rio de Janeiro. A figura de São Jorge é representada como um santo protetor e guerreiro e os eventos organizados em torno dessa figura, nesse dia, reúnem milhares de pessoas nas ruas, praças, quadras de samba, igrejas, terreiros e centros culturais da cidade. Além de eventos como alvoradas, carreatas, festas, shows e o comércio em torno da imagem do santo, há missas e procissões que costumam reunir até 500 mil pessoas.

A figura de São Jorge é também sincretizada com a figura de Ogum, orixá cultuado na religião umbanda que é conhecido como o orixá do ferro, da guerra e dos armamentos, como o “herói que luta a favor de seus filhos” (MACHADO, 2009). Segundo Patricia Birman (1985): “Quem se diz de ‘Ogum’ se associa à imagem do santo guerreiro, vencedor de demandas – à bravura, à luta se junta a imagem de um corpo fechado, imune aos ataques do mal.” (1985:34). O culto ao santo católico São Jorge e ao orixá umbandista Ogum tem ganhado expressão no espaço público da cidade do Rio de Janeiro após a instituição do feriado de São Jorge.


[1] https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/dia-de-sao-jorge-reune-milhares-de-devotos-para-celebracoes-em-porto-alegre.ghtml

[2] http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2013/04/cidades-da-baixada-santista-festejam-dia-de-sao-jorge.html

[3] http://www.novamodica.mg.gov.br/55a-festa-do-padroeiro-sao-jorge-e-1a-feira-agroindustrial-de-nova-modica-mg/

[4] https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/dia-de-sao-jorge-reune-milhares-de-devotos-para-celebracoes-em-porto-alegre.ghtml


Palavras-chave


Antropologia da religião; Umbanda; Catolicismo; Rio de Janeiro; São Jorge; Ogum

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Referências


BIRMAN, Patrícia. O que é umbanda. São Paulo: Abril Cultural: Brasiliense, 1985.

MACHADO, Maria Augusta. São Jorge: arquetipo, santo e orixá. 2. ed. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2009.


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