Políticas da estética no Brasil e Argentina: corpo, gênero e memória em Cabra Marcado para Morrer e La historia oficial

  • Mauricio Acuña Universidade de São Paulo Princenton University

Resumo

Este artigo propõe uma análise comparada de dois filmes – a obra ficcional argentina dirigida por Luis Puenzo, La história oficial (1985), e o documentário brasileiro conduzido por Eduardo Coutinho, Cabra Marcado para Morrer (1984). A aproximação entre os filmes será mediada pelo problema da relação entre corpo feminino, memória, luto e imaginação nacional. Para sustentar a argumentação em torno do objeto empírico como base de uma reflexão político-estético-social – mobiliza-se uma teoria da imagem embasada no campo da antropologia visual na qual o cinema reapresenta realidades, ficcionaliza e elabora aspectos da história e da memória como forma de conhecimento e da experiência em si. O cinema, portanto, constitui história, conhecimento, experiência estética e social, conforme reivindica Jacques Rancière, filosofia de aporte fundamental ao longo o texto.


Palavras-chave> cinema; corpo; memória; gênero; nação.

Biografia do Autor

Mauricio Acuña, Universidade de São Paulo Princenton University
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo e do
Department of Spanish and Portuguese da Princeton
University.

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Publicado
2017-07-01
Como Citar
Acuña, M. (2017). Políticas da estética no Brasil e Argentina: corpo, gênero e memória em Cabra Marcado para Morrer e La historia oficial. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(7). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2876
Seção
Artigos