Encruzilhadas: as artes negras e as vanguardas artísticas europeias

  • Rafael Gonzaga de Macedo Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Resumo

O objetivo deste artigo é compreender, a partir de certas representações do Outro e do “primitivo”, o regime de enunciação estético do modernismo e suas vanguardas, no final do século XIX e início XX, que deslocaram as
ditas “artes negras” para o centro das discussões estéticas da Europa naquele momento. Partindo das representações da nudez na pintura e na fotografia, pretende-se localizar as chaves interpretativas pelas quais algumas correntes modernistas conceberam as produções plásticas não ocidentais como modelo e inspiração para seus experimentos e subversões formais e estéticos. Sem aderir ou rejeitar absolutamente as contribuições modernistas para o entendimento das artes plásticas não ocidentais, o artigo se propõe a descrever os regimes de representação
que levaram os olhos europeus a considerar determinados objetos plásticos como obras de arte.


Palavras-chave>
Arte negra, vanguardas, modernismo, arte africana.

Biografia do Autor

Rafael Gonzaga de Macedo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Doutorando e Mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor da Universidade Metodista de Piracicaba. Colaborador do coletivo Afreaka e Pesquisador do Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora.

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Publicado
2017-07-01
Como Citar
Macedo, R. G. de. (2017). Encruzilhadas: as artes negras e as vanguardas artísticas europeias. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(7). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2875
Seção
Artigos