Dicionário de Judith Martins e sua relevância na análise do patrimônio escultórico em Minas Gerais

  • Maria Regina Emery Quites
  • Agesilau Neiva Almada
  • Idanise Sant'ana Azevedo Hamoy
  • Maria Luiza Seixas de Souza e Silva
  • Martha Maria de Castro e Silva

Resumo

O objetivo deste trabalho é analisar o Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais, de Judith Martins, pesquisando os documentos especificamente relacionados à fatura escultórica em madeira. A metodologia usada selecionou todas as referências relacionadas aos ofícios, categorias de obras, localidades, pagamentos, fatura original, intervenções e terminologias da época. Demonstramos como resultados que, nos séculos XVIII e XIX, em Minas Gerais, como através de toda história da arte, os artistas eram sempre os próprios “restauradores” do passado. Estes registros são testemunhos da importância do nosso acervo religioso e do caráter de “decoro” e “decência” que eram exigidos, para que as imagens cumprissem sua função de incitar a devoção. No campo da conservação-restauração de escultura policromada em madeira consideramos que o dicionário de Judith Martins e outros continuam sendo fontes de pesquisa interdisciplinar, onde os documentos históricos, a história da arte e a análise técnico-científica das obras podem nos levar a um melhor conhecimento da cultura de uma época e consequente valorização de nosso patrimônio escultórico.

 PALAVRACHAVE: Escultura. Artistas e Artífices. Judith Martins. Minas Gerais.

Biografia do Autor

Maria Regina Emery Quites
Professora associada do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes e tem atuação no Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis- CECOR, trabalhando em ensino, pesquisa, extensão e administração.  É vice-presidente do Centro de Estudos da Imaginária Brasileira- CEIB. Tem experiência na área de Conservação Restauração de Esculturas Policromadas em Madeira, atuando principalmente com os seguintes temas: escultura em madeira policromada, imagem de vestir, gesso policromado, técnica construtiva e critérios de conservação-restauração de esculturas.
Agesilau Neiva Almada
Bacharel em Conservação e Restauração pela Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Idanise Sant'ana Azevedo Hamoy
Professora Assistente da FAV/ICA/UFPa. Doutoranda em Artes, Escola de Belas Artes (EBA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Maria Luiza Seixas de Souza e Silva
Designer e modelista de joias em ouro e prata; Graduada em Artes Plásticas, Escola de Belas Artes (EBA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre pela REMAT/Escola de Minas.
Martha Maria de Castro e Silva
Arqueóloga e Curadora das Coleções de Arqueologia do Museu de História Natural da Universidade Federal de Minas Gerais (MHNJB/UFMG), Doutoranda em Artes, Escola de Belas Artes (EBA), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Referências

ACIOLY, Vera Lúcia C. A identidade da beleza: dicionário de artistas e artífices do século XVI ao XIX em Pernambuco. Recife: Editora Massangana, 2008.

ALVES, Celio Macedo. Pintores, policromia e o viver em colônia. Revista Imagem Brasileira, Centro de Estudos da Imaginária Brasileira, Belo Horizonte, n. 2, 2003.

ALVES, Marieta. Dicionário de artistas e artífices na Bahia. Salvador: Universidade Federal da Bahia, Centro Editorial e Didático, Núcleo de Publicações, 1976.

ARAÚJO, Jeaneth Xavier de. O trabalho artístico e artesanal na Vila Rica setecentista. Revista Imagem Brasileira, Centro de Estudos da Imaginária Brasileira,Belo Horizonte, n. 2, 2003.

Barroco Itália Brasil: prata e ouro na Casa Fiat de Cultura / Angelo Oswaldo, Giorgio Leone, Rossella Vodret. São Paulo: Base7 Projetos Culturais, 2014, 120 p. il., col., 23 x 28 cm. ISBN 978-85-62094-14-9 1.

BLUTEAU, Rafael. Vocabulário portuguez & latino: áulico, anatômico, architectonico... Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712.

BRUQUETAS, Rocío. Los Gremios, las Ordenanzas, los obradores. La pintura europea sobre tabla: siglos XV, XVI y XVII,Madrid, MCU, p. 20-31, 2010.

COELHO, Beatriz. Estado atual da conservação do patrimônio escultórico no Brasil.GE Grupo Espanhol de Conservación- IIC, Madrid, v. 1, n. 2, p. 7-19, 2011.

COELHO, Beatriz, QUITES, Maria Regina Emery. Estudo da escultura devocional em madeira.

Editora Fino Traço, Belo Horizonte, 2014.

MALDONADO, Rodrigo. MOEDAS BRASILEIRAS. Catálogo Oficial. MBA gráfica e editora, 2014.

MARTINS, Judith. Dicionário de Artistas e Artífices dos Séculos XVIII e XIX em Minas Gerais. Rio de Janeiro: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1974. Vol.1 e 2.

SERRÃO, Vitor. “Renovar, Repintar, Retocar”: estratégias do pintor-restaurador em Portugal, do século XVIII ao XIX. Razões ideológicas do iconoclasma destridor e da iconofilia conservadora, ou o conceito de “restauro utilitarista”, versus “restauro cientifico”. CONSERVAR PATRIMONIO, ARP Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal, números 3-4, Dezembro, 2006.

Publicado
2017-12-31
Como Citar
Quites, M. R. E., Almada, A. N., Hamoy, I. S. A., Silva, M. L. S. de S. e, & Silva, M. M. de C. e. (2017). Dicionário de Judith Martins e sua relevância na análise do patrimônio escultórico em Minas Gerais. PROA Revista De Antropologia E Arte, 2(7), 204 - 221. Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2759
Seção
Artigos