Teatro e sociedade – dinâmicas entre o Patrão Cordial e o Pensamento Social e Político Brasileiro

  • Monique Lima de Oliveira Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumo

Este artigo expõe o esforço de compreender algumas dinâmicas entre teatro e sociedade, teatro e política, a partir da comédia o Patrão Cordial (Companhia do Latão, São Paulo/2013). Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (1936) e O Sr. Puntila e seu criado Matti, de Bertolt Brecht (1940) são referências da comédia. Próxima ao Pensamento Social e Político Brasileiro, a peça apresenta certas características do mundo do trabalho e da cordialidade buarqueana-puntiliana – perversa ternura que esfuma as diferenças de classe. A leitura do Latão sobre Puntila cria um novo personagem – Descalcinho, o agregado e figura do favor, aqui compreendido como fruto de interpreta- ções do Brasil. O contraste deste com Surkala, personagem presente em ambas como sujeito de formação social revolucionária, produz elementos para pensar o Brasil e a realização do épico, com foco nos interesses sociais e políticos dos coletivos de esquerda.

Palavras-chave: Pensamento Social e Político Brasileiro; Teatro dialético; Companhia do Latão; Raízes do Brasil; As ideias fora do lugar.

Biografia do Autor

Monique Lima de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mestra em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integrante do Círculo de Giz Brechtiano.

Referências

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios

sobre literatura e história da cultura. Tradução de

Sérgio Paulo Rouanet. – São Paulo: Brasiliense, 2012.

BERMAN, Marshall. Tudo que é solido desmancha no ar:

a aventura da modernidade. SP: Companhia das Letras,

BORNHEIM, Gerd. Brecht - a estética do teatro. Rio de

Janeiro: Graal, 1992.

BRECHT, B. Estudos sobre teatro. Tradução de Fiama Pais

Brandão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.

__________. Diário de Trabalho, Volume I: 1938-1941.

Rio de Janeiro: Rocco, 2012.

__________. O Senhor Puntila e seu criado Matti. Tradu-

ção: Millôr Fernandes. São Paulo: Civilização Brasileira,

CANDIDO, Antonio. Esquema de Machado de Assis. In:

Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1970, p.14-32.

_________________. Dialética da malandragem. In: Revista

do Instituto de Estudos Brasileiros. São Paulo: IEB,

a, p.67-89.

CARVALHO, Sérgio de (org). Introdução ao teatro dialé-

tico: experimentos da Companhia do Latão. São Paulo:

Expressão popular; Companhia do Latão, 2009.

____________________. Abertura do processo P (o Patrão

cordial), in: http://www.sergiodecarvalho.com.

br/?P=1736

____________________. Atuação Crítica – entrevistas da

Vintém e outras conversas. São Paulo: Expressão Popular;

Companhia do Latão, 2009.

COSTA, Iná Camargo. Nem uma lágrima. Teatro épico

em perspectiva dialética. São Paulo: Expressão Popular,

___________________. A hora do teatro épico no Brasil.

São Paulo: Graal, 1996.

HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26a ed.

São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município

eu regime representativo no Brasil. Rio de Janeiro:

Nova Fronteira, 1997.

MARX, Karl. Pensadores. O 18 Brumário de Luís Bonaparte.

SP: Abril Cultural, 1974.

MATSUNAGA, Priscila. Sobre Tábuas brutas e porcelanas

finas. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros. 60a

ed. São Paulo: USP, 2015. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rieb/article/view/97696/96510.

NUÑEZ, Carlinda Fragale Pate. et al. O teatro através da

história. Rio de Janeiro: Centro Cultural banco do Brasil;

Entourage Produções Artísticas, 1994.

OLIVEIRA, Francisco. Crítica à razão dualista/O ornitorrinco.

São Paulo, Boitempo, 2003.

PARANHOS, Kátia R (org). História, teatro e política. São

Paulo: Boitempo, 2012.

PEIXOTO, Fernando. O que é teatro. São Paulo: Brasiliense,

_________________. Brecht: vida e obra. 3a. ed. Rio de

Janeiro: Paz e Terra, 1979.

PEREIRA DE QUEIROZ, Maria Isaura. O coronelismo

numa interpretação sociológica. In: FAUSTO, Boris. História

geral da civilização brasileira. O Brasil republicano.

São Paulo, Difel, 1975, t. III, v. 1, pp. 153-190.

PIACENTINI, Ney. Ensaio sobre Ensaios. Revista ArteSESC

(Porto Alegre), v. 01, p. 8-13, 2014. Disponível em:

http://issuu.com/90406/docs/revista-artesesc-15-2014

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâ-

neo: colônia. São Paulo: Brasiliense, 2008.

ROSENFELD, Anatol. O Senhor Puntila e Seu Criado Matti:

A Cordialidade Puntiliana. In: Brecht e o teatro épico.

São Paulo: Editora Perspectiva, 2012.

__________________. O Teatro Épico. São Paulo: Editora

Perspectiva, 2008.

SCHWARZ, Roberto. Cultura e Política. São Paulo: Editora

Paz e Terra, 2009.

_________________. Um Mestre na periferia do capitalismo

– Machado de Assis. São Paulo: Ed. 34, 2000.

_________________. Sequências Brasileiras. São Paulo:

Companhia das Letras, 1999.

WEBER, Max. Ciência e Política: Duas vocações. 11º Edi-

ção. São Paulo: Cultrix, 2002.

Publicado
2016-12-31
Como Citar
Oliveira, M. L. de. (2016). Teatro e sociedade – dinâmicas entre o Patrão Cordial e o Pensamento Social e Político Brasileiro. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(6). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2650
Edição
Seção
Artigos