A COR E O SOM: Os músicos na pintura de Portinari

Luis Felipe Kojima Hirano

Resumo


Este artigo pretende fazer uma interpretação da série Os músicos, de Candido Portinari, encomendada em 1942 por Assis de Chateaubriand para figurar no auditório da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro. Os oito painéis, por sua associação entre música, trabalho e “cor”, dada a centralidade do “negro”, permitem sugerir uma interpretação alternativa das análises canonizadas da obra de Portinari que, grosso modo, são diametralmente opostas: ora o pintor oficial do Estado Novo, ora o artista crítico. Mais do que apontar para uma das duas interpretações, busco mostrar que Portinari, em Os músicos, cria uma imagem do “negro” em consonância com discursos que, nos anos 1930 e 1940, buscavam instituir uma identidade brasileira fundada na positivação do mito das três raças. Ao mesmo tempo, o artista prima pela singularidade de suas composições, podendo sugerir ruídos. Para tanto, procuro fazer uma análise comparando os painéis primeiro entre si, ou com esboços e demais quadros de Portinari, mas também com outras fontes que versam sobre o mesmo tema: pinturas de Di Cavalvanti e Augusto Rodrigues; produções de cinema; teatro de revista; e canções de época, entre outras representações em que o “negro” e o samba ganhavam proeminência.

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Referências


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