Blasfêmia e arte contemporânea: uma questão de método

  • Aline Miklos École des Hautes Études en Sciences Sociales; Universidade de São Paulo

Resumo

Apesar de o século XX ter sido marcado por um longo processo de laicização do mundo ocidental e de a arte ter se afastado cada vez mais das questões religiosas, o que já vinha acontecendo desde o século XVIII, diversos artistas não deixaram de se preocupar com o tema religioso. Graças às liberdades adquiridas, eles procuraram ver o cristianismo de uma outra forma: ora criticando-o, ora defendendo um cristianismo primitivo, ora burlando dele etc. Por isso, vários desses artistas foram acusados de blasfemos, levados à justiça, e muitos deles perderam a causa. Enquanto outros, tão críticos como os primeiros, passaram despercebidos. Agora, em uma sociedade laica, o que faz uma obra ser considerada blasfema? O que seria a blasfêmia nas artes visuais? Como estudá-la? Tentaremos responder essas questões a partir da análise de métodos já existentes para o estudo da blasfêmia. Nosso objetivo será apontar novas alternativas para esse estudo, a partir da ampliação dos tipos de documentos que serão analisados e da discussão desses métodos.

Biografia do Autor

Aline Miklos, École des Hautes Études en Sciences Sociales; Universidade de São Paulo
Graduada em História pela Universidade de São Paulo. Mestre em teoria e prática da linguagem e das artes pela École des Hautes Études en Sciences Sociales e doutoranda em regime de cotutela entre a EHESS e a USP.

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Publicado
2012-12-01
Como Citar
Miklos, A. (2012). Blasfêmia e arte contemporânea: uma questão de método. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(4). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2352
Edição
Seção
Artigos