Autoria, curadoria e world music: a face ativa do trabalho passivo da Putumayo

  • Pedro Menezes Universidade de Brasília

Resumo

Essa é uma pesquisa sobre a Putumayo, gravadora nova-iorquina de world music, que se propõe a organizar coletâneas que reúnem faixas de “lugares exóticos onde a música se originou”, para que o resto do mundo conheça aquelas culturas “tais como são”. Mas o que se observou no exercício de pesquisa é que o trabalho de curatela da gravadora traz em seu bojo uma forte marca autoral: a Putumayo não apenas (passivamente) expõe as culturas em seus próprios termos nativos, mas (ativamente) as constitui substancialmente, com base na sua gramática nova-iorquina. Tendo isso em vista, o texto intenta evidenciar como os passivos e desinteressados gestos de curadoria são também ativos e interessados atos de autoria: as culturas do mundo não estão sendo apenas dispostas e organizadas, mas também constituídas. Aquele que seleciona, por se acreditar apto para tal, é também o que instaura. Dessa maneira, o artigo se debruça sobre o binômio “mediação de sentido/ imputação de sentido”, almejando analisar como instâncias intermediárias, ao se julgarem capazes de mediar, acabam por imputar os sentidos que pareciam estar apenas mediando: justamente por residirem nesse entre, os mediadores acabam vazando para os polos, constituindo-os. Em linhas gerais, esse é um trabalho sobre práticas de exotização e estereotipia na construção do Outro, que objetiva mostrar como o exercício de sair de si em busca da alteridade, quando baseado nos próprios pressupostos, não deixa de ser um mergulho para dentro de si mesmo.

Biografia do Autor

Pedro Menezes, Universidade de Brasília
Mestrando em Sociologia na Universidade de Brasília

Referências

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Publicado
2014-12-01
Como Citar
Menezes, P. (2014). Autoria, curadoria e world music: a face ativa do trabalho passivo da Putumayo. PROA Revista De Antropologia E Arte, 1(5). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/proa/article/view/2333