De geidō a geijutsu. O caminho da arte e a arte como caminho na Escola de Kioto

  • Raquel Bouso

Resumo

A palavra japonesa geidō 芸道 é formada por dois caracteres: o primeiro remete à“habilidade” ou “capacidade” de executar algo e o segundo a uma “via” ou “caminho”, de maneira que poderia ser traduzida por “via da arte”. Como observou Hisamatsu Shin’ichi em um diálogo com Martin Heidegger, “via”, aqui, não significa simplesmente “método”, mas mantém uma profunda relação com a vida. No entanto, para nomear a “arte” no sentido moderno “ocidental estético”,emprega-se, em japonês, o neologismo geijutsu 芸術. O segundo caráter, neste caso, contém mais claramente o significado de “método” ou “técnica”, além de “êxito/realização” e “destreza”. Partindo das distintas conotações que os dois termos evocam, propomo-nos a examinar a concepção tradicional e moderna da arte, no Japão, à luz das reflexões dos filósofosda Escola de Kioto sobre o “lugar do nada” (mu no basho 無の場所) como “campo expressivo”(hyōgenteki sekai表現的世界). Com isso, tentaremos mostrar a correspondência existente entre a concepção de arte como poiesis, ou autoexpressão criativa, de alguns desses filósofos e a compreensão tradicional japonesa da arte como via.
Publicado
2018-10-23
Como Citar
Bouso, R. (2018). De geidō a geijutsu. O caminho da arte e a arte como caminho na Escola de Kioto. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-121], 2(3). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/modernoscontemporaneos/article/view/3314