Carta de Descartes a Elisabeth - Egmond-Binnen, setembro de 1646

  • René Descartes

Resumo

Senhora,

Li o livro a respeito do qual Vossa Alteza me ordenou a lhe escrever minha opinião, e nele encontrei diversos preceitos que me parecem muito bons; como, entre outros, nos 19o e 20o capítulos: Que um Príncipe deve sempre evitar o ódio e o desprezo de seus súditos, e que o amor do povovale mais do que as fortalezas. Mas há nele também muitos outros que eu não poderia aprovar. E creio que aquilo em que o autor mais falhou é que não fez distinção suficiente entre os Príncipes que adquiriram um Estado por vias justas e aqueles que o usurparam por meios ilegítimos; e que deu a todos, de modo geral, preceitos que não são próprios senão a esses últimos. Pois como, ao construir uma casa cujos fundamentos são tão maus que não poderiam sustentar muralhas altas e espessas, se é obrigado a fazê-las fracas e baixas, assim aqueles que começaram a se estabelecer por crimes são ordinariamente constrangidos a continuar a cometer crimes, e não poderiam se manter se quisessem ser virtuosos.

Publicado
2018-09-09
Como Citar
Descartes, R. (2018). Carta de Descartes a Elisabeth - Egmond-Binnen, setembro de 1646. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], 1(2). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/modernoscontemporaneos/article/view/3277

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