Carta de Descartes a Elisabeth Novembro de 1646

  • René Descartes

Resumo

Senhora,Vossa Alteza fez-me um favor muito grande quando quis que eu soubesse, por suas cartas,do sucesso de sua viagem, e que chegou felizmente num lugar onde, send grandemente estimada equerida por seus próximos, parece-me que tem tantos bens quanto se pode desejar razoavelmentenesta vida. Pois, sabendo da condição das coisas humanas, seria importunar demais a fortunaesperar dela tantas graças que não se pudesse, mesmo em imaginação, encontrar nenhum motivo deincômodo. Quando não há absolutamente objetos presentes que ofendem os sentidos, nem algumaindisposição no corpo que o incomode, um espírito que segue a verdadeira razão pode facilmentese contentar. E não é preciso, para tanto, que ele esqueça nem que negligencie as coisas distantes;é suficiente que ele trate de não ter nenhuma paixão por aquelas que lhe podem desagradar: o quenão repugna absolutamente à caridade, porque se pode frequentemente melhor encontrar remédiospara os males que se examinam sem paixão do que para aqueles pelos quais se é afligido. Mas, comoa saúde do corpo e a presença de objetos agradáveis ajudam muito o espírito a afastar de si todasas paixões que participam da tristeza, e a permitir a entrada daquelas que participam da alegria,assim, reciprocamente, quando o espírito está pleno de alegria, isto serve muito para fazer com queo corpo comporte-se melhor e que os objetos presentes pareçam mais agradáveis.
Publicado
2018-09-09
Como Citar
Descartes, R. (2018). Carta de Descartes a Elisabeth Novembro de 1646. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-121], 1(2). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/modernoscontemporaneos/article/view/3274

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