Michel Foucault & Tecnologias do Poder: a Psicanálise

  • Luísa Helena Torrano

Resumo

O conceito de poder trabalhado por Michel Foucault se dá por meio de um sistema disciplinar disperso, que funciona anonimamente, através de um controle incessante que se faz valer de práticas discursivas para aplicar-se sobre os sujeitos; sujeitos estes que aparecem sujeitando-se, como efeito de operações de poder. Tal poder disciplinar está intrinsecamente ligado às ciências humanas, enquanto sistemas de conhecimento sobre seres humanos, dentre os quais a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise assumem posição privilegiada. Médicos e cientistas, detentores do saber no campo das ciências humanas, são representantes de demandas morais da sociedade. A psicanálise insere-se nesse contexto como um dispositivo do poder disciplinar – o psicanalista domina a loucura, e sua autoridade decorre não da sua ciência, mas da sua postura como instrumento de valores sociais.

Ainda que Foucault atribua à psicanálise o mérito de ter posto em xeque a soberania do sujeito enquanto núcleo do qual emana toda a verdade e conhecimento, a psicanálise, segundo ele, reivindica para si o estatuto científico da produção da verdade, e toma assim a forma de instituição normalizante. Contudo, a ligação entre moralidade e sociedade não é necessária; o trabalho da filosofia aparece ligado ao desenvolvimento de uma estratégia crítica capaz de denunciar os modos de produção do campo da subjetividade, e oferecer pontos de resistência, ou de insubordinação. Cabe à psicanálise levar em conta seu caráter produtivo enquanto regime de produção da verdade, a fim de maleabilizar-se, permitindo assim o advento da diversidade.

Publicado
2015-03-20
Como Citar
Torrano, L. H. (2015). Michel Foucault & Tecnologias do Poder: a Psicanálise. Revista Aulas, 1(3). Recuperado de https://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/aulas/article/view/1931
Seção
Artigos