Exibição do filme 'Corpos Instáveis'

Data da publicação: ter, 23/04/2019 - 15h10min

O Grupo de Estudos Interdisciplinares em Ciência e Tecnologia (Geitc) e o Laboratório de Ficção, Ciência e Cultura (Labficc) promovem o lançamento do filme Corpos Instáveis, dia 30 de abril, às 14 horas, no Auditório Marielle Franco.

O evento contará com a presença da antropóloga Marisol Marini, roteirista e diretora do filme, e contará com a Profa. Dra. Daniela Manica (LABJOR) como debatedora. 

Oriundo da pesquisa de doutorado de Marisol Marini e de uma residência artística no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, Corpos instáveis é um projeto híbrido que alterna entre a linguagem naturalista e a poética visceral. O filme aborda a utilização de dispositivos médicos chamados de corações artificiais, que são tecnologias utilizadas como alternativa ao transplante de órgãos, como forma de prolongar e melhorar a qualidade de vida de pacientes com insuficiência cardíaca grave que aguardam na fila de espera por um transplante de coração.

Fruto de uma pesquisa etnográfica iniciada em 2013, o projeto dialoga com a hipótese de que os corações artificiais podem operar como uma pedagogia para a morte e procura abrir espaço para o debate sobre os dilemas em torno do desenvolvimento e utilização desses dispositivos, investigando como é viver com tais tecnologias e lançando questões em torno das transformações nas concepções de corpo, vida/morte e do próprio humano.

Na esteira de um movimento no campo documental que busca problematizar as fronteiras entre ficção e realidade, dissolvendo-as ou evidenciando sua porosidade, o filme recorre a linguagens diversas para abordar uma temática profunda, uma sombra existencial que acompanha a humanidade e se expressou de inúmeras formas em diferentes cosmologias.

Partindo da defesa de Platão e dos estoicos, Melete thanatou, a respeito da filosofia como um exercício para a morte, inerente à vida, o filme pergunta se somos uma sociedade que cria aparatos, porém emprestando metáforas para lhes dar sentidos? Ou será que podemos considerar que essas tecnologias também sejam dispositivos de reflexão, de pensamento, que nos fazem ruminar sobre grandes questões existenciais?