Reflexões sobre catástrofe, memória, linguagens em seminário no NEPHISPO/UFU

minicurso: sobrevivências, montagens , anacronismos

O minicurso "sobrevivências, montagens , anacronismos", promovido pelo CIEC/Unicamp e ministrado por Paola Berenstein Jacques (FAU/UFBA, pós-doc DH/Unicamp), tem como público-alvo prioritário estudantes de pós-graduação em história. Ocorre nos dias 8 e 9 de agosto de 2017, na sala Multiuso (edifício administrativo do IFCH/Unicamp). 

São necessárias inscrições prévias, devido ao número limitado de vagas.

Ementa

Como atualizar a ideia, proposta por Aby Warburg, de Nachleben, traduzida como
sobrevivência? Como pensar as sobrevivências de uma determinada época que
emergem em outras distintas, provocando um choque entre tempos heterogêneos?
Parece-nos que precisamos repensar o uso do anacronismo, ainda visto por muitos
historiadores como um “pecado capital” a ser evitado, uma profanação da própria
história, “o diabo da história”, como se refere Georges Didi-Huberman, ao propor o
uso de anacronismos de imagens – pensando a imagem como conceito, ou gesto, e
não somente como suporte iconográfico – como fundamentais para o campo da
história da arte. De que forma podemos “correr o risco” do anacronismo?

A aceitação de um “uso controlado” do anacronismo, conforme nos indica Nicole
Loraux em seu Elogio do anacronismo, não pressupõe uma recusa do eucronismo, e
também não se trata da proposta de um anacronismo vulgar, mas sim de considerar
a complexidade de tempos, através das sobrevivências, das emergências de outros
tempos, das reminiscências, dos excessos, das sobras e dos restos de tempos
distintos que sobrevivem, ou ganham uma sobrevida, em outros tempos, ou seja,
que vivem além de seu próprio tempo, ou ainda, através daquilo que se mantém vivo
na memória. A memória involuntária é sempre anacrônica, assim como são os
sonhos. Memórias e sonhos são também montagens de tempos (e espaços)
distintos, uma mistura de tempos heterogêneos que podemos chamar de
heterocronia. Como podemos pensar essas montagens heterocrônicas – choque de
tempos distintos, que mostra a coexistência de tempos heterogêneos – no campo da
história e, em particular, da história das cidades e do urbanismo?

Walter Benjamin, em seu texto sobre o surrealismo, levanta a questão de outros
tempos contidos em espaços e objetos obsoletos e nos mostra a força das “energias
revolucionárias do antiquado”, que podemos relacionar com a ideia de
sobrevivências de Warburg. Seria a proposta de “iluminação profana” surrealista,
que parte de objetos e espaços urbanos antiquados – ou em vias de
desaparecimento, sobreviventes de outro tempo –, um tipo de sobrevivência que
quebra a linearidade do tempo positivista, da ideia de progresso e cronologia linear,
ao mostrar o cruzamento, o choque entre tempos heterogêneos em um mesmo
espaço urbano? Podemos dizer, com Jeanne Marie Gagnebin, que, trata-se da
“lembrança do passado desperta no presente o eco de um futuro perdido”– e que,
portanto, deixa de ser perdido, podendo ser retomado? Como incorporar os tempos
das memórias involuntárias e dos sonhos, como relacionar essas outras
experiências com as narrativas históricas para quebrar, fissurar e, assim, atravessar
as linearidades ou outras simplificações temporais?

Leituras

(textos disponíveis no gdrive, após a confirmação da inscrição)

3ª feira, dia 8/8, 14h00
Texto base (leitura fundamental)
1. WARBURG, A. Mnemosyne In: Dossiê Aby Warburg, Revista Arte&Ensaios19. Rio de Janeiro:
PPGAV-EBA/UFRJ, 2009
Textos comentadores (leitura complementar)
1. DIDI-HUBERMAN, G. A imagem fantasma In: A imagem Sobrevivente: história da arte e tempo
dos fantasmas segundo Aby Warburg. Rio de Janeiro: Contraponto, 2013
2.AGAMBEM, G. Aby Warburg e a ciência sem nome In: Dossiê Aby Warburg, Revista
Arte&Ensaios19. Rio de Janeiro: PPGAV-EBA/UFRJ, 2009
3.GINZBURG, C. De A. Warburg a E.H.Gombrich In: Mitos, emblemas, sinais. São Paulo, Cia das
letras, 1989

4ª feira, dia 9.8 das 9h00-12h00
Textos base (leitura fundamental)
1. BENJAMIN, W. “Surrealismo. O último instantâneo da inteligência européia” In: Obras
escolhidas, volume 1. São Paulo, Brasiliense, 1985
2. BENJAMIN, W. “Rua de mão única” In Obras escolhidas, volume 2. São Paulo, Brasiliense,
1987
Textos comentadores (leitura complementar)
1. GAGNEBIN, J.M. entrevista In: Redobra 15. Salvador, Edufba, 2016
2. GAGNEBIN, J.M. Canteiro de obra In: Corpocidade. Gestos Urbanos. Salvador, Edufba, 2017.

4ª feira, dia 9.8 das 14h00-17h00
Texto base (leitura fundamental)
1. DIDI-HUBERMAN, G. Diante do Tempo: História da arte e anacronismos das imagens, Belo
Horizonte: Ed.UFMG., 2015
Textos complementares (leitura recomendada)
1. LORAUX, N. Elogio do Anacronismo. in: NOVAES, A.(org.) Tempo e História, São Paulo:
Companhia das Letras: Secretaria Municipal de Cultura, 1992
2. RANCIÉRE, J. O Conceito do Anacronismo e a Verdade do Historiador. in: SALOMOON,
M.(org.), História, Verdade e Tempo, Chapecó: Argos Editora, 2011

Atlas da Campinas Metropolitana: diversidades

A diversidade socioespacial da Região Metropolitana de Campinas, com cerca de 2,8 milhões de habitantes, não passa desapercebida sequer para um observador desatento ou descuidado. A publicação Campinas metropolitana: diversidades socioespaciais na virada para o século XXI, está especialmente atenta a isso e busca lançar um olhar municipal e também metropolitano sobre as dimensões sociais, econômicas e demográficas regionais. O CIEC parabeniza os organizadores, José Marcos Cunha e Camila Falão, e divulga desde já o lançamento da obra que ocorrerá no evento Faces de Campinas, dia 10 de agosto de 2017. Mais informações e donwload gratuito aqui.

Faces de Campinas - evento interdisciplinar na Unicamp

Faces de Campinas, evento interdisciplinar organizado em parceria com o CIEC, convida a colocar em pauta a cidade, a partir de elementos diretamente relacionados a Campinas.

Faces de Campinas. Que identidades têm uma cidade? Como é vivida, percebida? Como e quem a desenha no presente e a projeta para o futuro? Este simpósio oferece leituras da história, da geografia, das ciências sociais, da arquitetura e do urbanismo para debater essas questões. Convidamos especialistas que com seus trabalhos empíricos e pesquisa nos oferecem um balanço reflexivo sobre a cidade. Esperamos que o evento ajude a abrir uma ampla agenda de pesquisas sobre temas urbanos. Vamos discutir Campinas.

Organização: Josianne Cerasoli, Susana Durão, Vanessa Bello

Dias 10 e 11 de agosto de 2017, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp

 

O RJ e seu desenvolvimento urbano - apresentações disponíveis
Conferências e as Apresentações do Colóquio O RIO DE JANEIRO E SEU DESENVOLVIMENTO URBANO já foram publicadas no canal youtube do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Obrigado a cada um/uma pela colaboração e a todos/as que participaram dos debates.
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